Renato Paiva: “O cemitério de futebol está cheio de favoritos (Divulgação) Antes mesmo da grande vitória do Botafogo sobre o temível PSG, sensação da Europa e atual campeão da Champions League, o técnico do time carioca, Renato Paiva, deu uma declaração que tem tudo para ficar na história do esporte. Disse ele: “O cemitério de futebol está cheio de favoritos. Quer dizer que muitas vezes a teoria é diferente da prática. Se há ciência onde dois mais dois não são quatro é no futebol”. E o Botafogo provou isso ao fazer 1 a 0 sobre o PSG, com gol de Igor Jesus, já negociado com o futebol inglês. Sem dúvida, um resultado espetacular, que contrariou todas as previsões de grandes especialistas. Muitos consideravam que seria um massacre, semelhante ao que o time francês fez com a Inter de Milão, na final da Champions League, quando aplicou uma goleada de 5 a 0. É inegável que o PSG dominou a partida, basta ver o índice de posse de bola. Com um futebol coletivo e de grande pressão, acuou o Botafogo durante quase todo o jogo, mas fracassou diante de um esquema tático quase perfeito e de uma entrega física de todos os atletas brasileiros. O time carioca, em síntese, foi eficiente e estratégico, comprovando a frase de seu treinador português. A vitória do Botafogo teve repercussão mundial e mudou radicalmente a perspectiva em torno do futuro campeão do torneio. Na mesma linha veio o Flamengo, contra o Chelsea, outro time considerado favorito ao título. A vitória por 3 a 1, com direito ao tradicional “olé” no final, mostrou que os rubro-negros também têm chances de realizar uma grande campanha. Méritos para o time e para o treinador Filipe Luís, que mesmo à beira do campo foi decisivo. É, sem dúvida, um técnico diferenciado, que acredita em suas convicções e não hesita em alterar sua equipe em função das características do adversário. De saída, colocou Danilo como titular e depois, ao promover a entrada de Bruno Henrique, decidiu o jogo. Outra grande vitória do Brasil, assustando os grandes da Europa. Na mesma linha se apresentam Palmeiras e Fluminense, com atuações convincentes, que também os credenciam a sonhar com a conquista. Os resultados até agora foram importantes também para avaliar o nível entre os grande brasileiros e europeus. O Brasil saiu muito na frente. O Flamengo já está classificado, assim como o Bayern de Munique. Tudo indica que Botafogo, Palmeiras e Fluminense também passarão para a próxima fase, que terá caráter eliminatório. É incontestável que muitos outros aspectos devem ser considerados nesse Mundial de Clubes que está sendo disputado nos Estados Unidos, com 32 clubes, no formato de uma Copa do Mundo de seleções. A diferença dos calendários europeu e brasileiro é um deles, pois a temporada europeia terminou após quase um ano e a do Brasil nem sequer chegou até a metade. Assim, o contraste de nível de condição física das principais equipes é inegável, pois nossos representantes estão quase no ponto máximo do condicionamento e os gigantes europeus, desgastados. Outro ponto importante é a condição climática, pois é verão forte nos Estados Unidos e isso complica o quadro para os europeus, que em sua maioria não estão acostumados a atuar em alta temperatura, superior até a 30 graus. Brasileiros e africanos, ao contrário, estão habituados a esse cenário, superando-o com muito mais facilidade. Há ainda um certo desinteresse de alguns clubes em relação à competição, principalmente pelo período de realização. O Real Madrid é um bom exemplo. Algumas ligas, como a espanhola, criticam publicamente o torneio e até ameaçam boicote na própria edição, já prevista para 2029. Aliás, o Brasil já se candidatou a país-sede. Com certeza, se não fosse a pressão da Fifa, que quer reafirmar sua condição de liderança do futebol perante a Uefa, e a premiação espetacular, muitos não hesitariam e recusariam o convite para disputar a competição. Nada, porém, tira o brilho dos times brasileiros. Os quatro até agora, independentemente dos resultados e performances, foram brilhantes, indicando principalmente que o Brasil, apesar de seus problemas de gestão, ainda é grande no contexto mundial. O folclórico dono do Botafogo, John Textor, também foi feliz em meio à comemoração da vitória sobre o PSG: “Eles não são deuses, apenas usam camisas diferentes. Mas esse jogo diz respeito à ambição, à inteligência e aos nossos corações”. E acrescentou: “É apenas uma batalha de pessoas de carne e osso, de diferentes partes do mundo. Essa vitória é para o Brasil”.