O Fluminense tem méritos dentro e fora do campo, começando com Renato Gaúcho (Divulgação/Arquivo Fifa.com) Dos quatro brasileiros no Mundial de Clubes em disputa nos Estados Unidos, sobrou apenas um, o Fluminense. O patinho feio, como diz o treinador do tricolor carioca, Renato Gaúcho, a cada dia mais falante, irônico e provocador. E tem todo direito, pois realmente seu time está surpreendendo e mandando para casa quem apareça na frente. Na última sexta-feira, foi a vez do Al-Hilal, da Arábia Saudita, que na fase anterior havia eliminado o Manchester City, até então grande favorito ao título, no jogo mais emocionante da competição. E com gols de brasileiros como o ex-santista Marcos Leonardo e o ex-corintiano Malcom. O Fluminense tem méritos dentro e fora do campo, começando com Renato Gaúcho, que tem feito uma perfeita leitura dos seus adversários. Além disso, conseguiu inserir na sua equipe o espírito altamente competitivo do torneio, não hesitando em atuar com humildade e reconhecendo que os adversários, em tese, eram superiores. Em todos os jogos, foi muito aplicado taticamente e praticamente não falhou, como fizeram Palmeiras e Flamengo, por exemplo. Além disso, contou com grandes destaques individuais, a começar com o goleiro Fábio, de 44 anos, que a cada partida faz milagres e contraria a tese de que a idade no futebol é um problema. Com ele acontece justamente o contrário, como se fosse um vinho fino, que quanto mais velho melhor fica.</CW> O time conta também com Tiago Silva, outro na casa dos 40, com experiência e liderança que têm sido fundamentais. O zagueiro chegou até a alterar o time taticamente durante uma parada técnica para hidratação, com a concordância de Renato Gaúcho, garantindo mais uma vitória do Fluminense. Por fim, ainda como destaque individual, o clube carioca tem contado com a técnica de Jhon Arias, colombiano que é um misto de ala e meio-campista, com quase 28 anos. Em pelo menos dois jogos, comandou o time e garantiu vitórias importantes. É impossível cravar que o Fluminense chegará à final e até conquistará o título inédito de campeão mundial. Mas, definitivamente, essa possiblidade não pode ser descartada, mesmo sabendo que os adversários são considerados a nata do futebol mundial, como Real Madrid, Chelsea e, principalmente o Paris Saint-Germain, último campeão da Liga dos Campeões da Europa. Na fase de grupos, vale lembrar, o Botafogo venceu os franceses num jogo épico e praticamente perfeito. Depois de Botafogo e Flamengo, o Palmeiras também caiu e mais uma vez terá que continuar suportando as ironias de que não tem um título mundial. E não tem mesmo, pois não adianta insistir com a conquista de 1951. A Fifa já deixou claro que não reconhece a Copa Rio como um torneio que garanta tal status. Ao contrário do Fluminense, o Palmeiras perdeu também para seus próprios erros e atuações instáveis. A primeira ocorreu como o Inter Miami, de Messi e Suárez, com o time alviverde só evitando a derrota em razão da clara queda física dos adversários no segundo tempo. Conseguiu o empate no sufoco, apesar de sua grande superioridade técnica. Na sexta-feira, contra o Chelsea, o Palmeiras também errou muito e, numa fase eliminatória, isso é imperdoável. Seu primeiro tempo foi um desastre até do ponto de vista tático, sendo facilmente envolvido pela velocidade e grande movimentação dos adversários. Os números da fase inicial demonstraram claramente a diferença de postura entre os dois times. Por sorte, terminou a etapa inicial perdendo apenas por 1 a 0. No segundo tempo, é inegável, o trabalho do técnico Abel Ferreira funcionou, a equipe melhorou e até chegou ao empate, muito em razão da habilidade do garoto Estêvão, numa jogada individual que surpreendeu a defesa do Chelsea. Por ironia, seu futuro time, negociado que foi há vários meses, na maior transação da história do Palmeiras. Nos dois gols do Chelsea, houve falha defensiva, comprovando que a marcação na primeira etapa foi frouxa e até dispersiva, num misto de desatenção ou falta de concentração. Não dá para responsabilizar apenas Weverton, mas, no mínimo, o jogador não fez a diferença que caracteriza os grandes goleiros. Nesse contexto, é importante ressaltar que há uma atenuante: as ausências de Gustavo Gomez e Piquerez, dois titulares absolutos. O zagueiro central paraguaio, que cumpriu suspensão automática pela expulsão contra o Botafogo, fez muita falta por sua qualidade técnica e, principalmente, por sua liderança. Com certeza, se estivesse em campo, os ingleses não teriam tanta facilidade para fazer seus dois gols. Aos brasileiros, agora resta apenas torcer pelo Fluminense. Pela rivalidade que impera no futebol nacional, a torcida será contra ou a favor. Contudo, não importa, a realidade é que o time carioca foi o único entre os brasileiros que teve competência para sobreviver e garantir até agora mais de R\$ 300 milhões em prêmios. * marciocalves@ymail.com