O goleiro John, do Botafogo, foi eleito o melhor jogador em campo, apesar de o seu time ter perdido para o Botafogo, por 1 a 0, e, consequentemente, ter sido eliminado no sábdo (28) do Mundial de Clubes, em disputa nos Estados Unidos. Esse dado demonstra de pronto que a equipe paulista foi melhor e que mereceu a classificação para as quartas de final. Sim, o Palmeiras foi mesmo superior e acabou também com um pequeno tabu de cinco jogos sem vencer o clube carioca – foram três derrotas e dois empates. Outro detalhe importante da partida foi a entrada do atacante Paulinho, contratado a peso de ouro ao Atlético-MG no início do ano. Paulinho ainda se recupera de uma séria contusão, uma fratura por estresse na tíbia na perna direita. Atualmente só tem condições de atuar por cerca de 30 minutos, conforme alertou o próprio clube. Assim mesmo, foi mais decisivo que John, pois fez o gol da vitória. É, sem dúvida, um grande artilheiro, além de inteligente. Pouco antes de fazer o gol, numa conversa com o lateral Mayke, tinha comentado de que precisaria de “apenas uma bola” para um chute rasteiro, já que John estava defendendo tudo pelo alto. E foi exatamente assim, com uma ajuda tática importante de Mayke, que fez a ultrapassagem pela direita e perturbou a ação de dois adversários. A conclusão foi como previu, no canto baixo, quase sem chance de defesa. Logo depois, foi substituído, até para ser poupado para a próxima fase. Estevão disputou sua melhor partida na competição e mesmo assim foi substituído. Por coincidência, por Paulinho, protagonista maior do confronto. A vitória do Palmeiras também tem que ser creditada ao técnico Abel Ferreira e a Richard Rios, que fez uma partida espetacular. O treinador, ao contrário da grande maioria dos profissionais brasileiros, não hesita em alterar a equipe e montá-la também levando em consideração as características do adversário. E o fez ontem mais uma vez. Teve também sensibilidade para promover a entrada de Paulinho e até “sacrificar” Estevão, que claramente não gostou de deixar o gramado. Na prática, a resposta do treinador veio com o gol do centroavante. O Botafogo, primeiro brasileiro eliminado da competição, taticamente foi envolvido pelo Palmeiras. A rigor, ao longo dos 120 minutos de jogo, pouco ameaçou, sua única opção foi sempre Igor Jesus, isolado e dominado pela defesa. A fase eliminatória, inegavelmente, é sempre emocionante, pela pressão constante e o risco permanente de deixar a competição. A partida de ontem abre a perspectiva de uma nova etapa nesse Mundial de Clubes, na medida em que reúne grandes times do mundo, como os brasileiros e mais PSG, Manchester City e Inter de Milão, dentre outros. A qualidade dos jogos pode garantir uma sobrevida a esse torneio, que continua sendo criticado principalmente por europeus. Num primeiro momento, a atração foi financeira, com distribuição de prêmios da ordem de R\$ 1 bilhão. Antes das oitavas, apenas pela participação, Palmeiras e Botafogo ganharam cerca de US\$ 15,2 milhões, aproximadamente R\$ 83,6 milhões. A vaga nas oitavas rendeu mais US\$ 7,5 milhões para cada um, cerca de R\$ 41,4 milhões. E a cada etapa, mais dinheiro, em valores inimagináveis num prazo tão curto. Assim mesmo, cresceu a oposição ao torneio. A última manifestação contundente foi do técnico alemão Jürgen Klopp, que considerou o torneio “a pior ideia implementada no futebol”. E acrescentou: “Entendo quem diga que o dinheiro para participar é uma loucura, mas isso não acontece com todos os clubes”. Destacou ainda que no ano passado houve a Copa América e a Eurocopa, este ano o Mundial de Clubes e no próximo ano haverá a Copa do Mundo. “Não há recuperação real para os jogadores envolvidos, seja física ou mental”. Polêmicas à parte, pelos grandes times envolvidos, a qualidade dos jogos pode consolidar a competição. Para o Palmeiras, nada é mais importante do que conquistar o tão sonhado título mundial e definitivamente