(S. Hermann & F. Richter/ Pixabay) O português Luís Miguel Henrique, amigo e advogado de Jorge Jesus, em recente participação no Charla Podcast, no Rio de Janeiro, fez uma reflexão muito interessante, que explica a postura do treinador em relação à corrida para sucessão de Dorival Junior na seleção brasileira de futebol. Disse ele: “Na comunicação, assim como no futebol, você precisa ocupar o espaço vazio, caso contrário o adversário vai ocupá-lo”. Em campo, sem dúvida, Miguel Henrique está absolutamente certo, nos jogos de hoje, nos quais a marcação é severa, quase sempre em três linhas e no próprio campo, o ideal é utilizar eventuais áreas livres para chegar ao gol. No processo sucessório do cargo de técnico do Brasil, porém, não parece o mais correto e inegavelmente não é a melhor estratégia. Esse açodamento e avidez podem ser fatais e prejudiciais, além de não indicarem uma linha ética correta. Desde a demissão de Dorival, além de Jorge Jesus, pelo menos mais quatro nomes são objeto de especulação, a saber: Filipe Luis, do Flamengo, os portugueses Abel Ferreira, do Palmeiras, e agora também José Mourinho, atualmente no Fenerbahçe, da Turquia, e o eterno sonho Carlo Ancelotti, italiano que comanda o poderoso Real Madrid. Ancelotti, questionado sobre a possibilidade de deixar o clube para assumir a seleção brasileira, bem ao seu estilo ético, foi sucinto e educado: “Tenho muito carinho, mas não houve contato”. Abel Ferreira, Filipe Luis e Mourinho praticamente não se manifestaram, numa postura correta. Sobre o técnico do Flamengo, circularam apenas comentários de um dos dirigentes do clube sugerindo que não é o momento de o treinador mudar de trabalho. Houve também uma notícia de que os jogadores do time teriam pedido para que permaneça na Gávea visando consolidar o sucesso de seu início de carreira. Abel Ferreira também permaneceu em silêncio, dentro de sua postura séria e profissional. A exceção, sem dúvida, foi Jorge Jesus, que praticamente não parou de falar desde que o cargo na seleção ficou vago. Já acenou até com a possibilidade de deixar o comando de seu time antes mesmo da disputa do Super Mundial de Clubes, nos meses de junho e julho, nos Estados Unidos. E mais: fez questão de ressaltar que não tem nenhum problema de relacionamento com o craque Neymar, imprescindível para qualquer time do mundo. Na Arábia, porém, quando o ídolo brasileiro era jogador do Al-Hilal, Jorge Jesus ultrapassou os limites do bom senso e expôs o craque santista, num comportamento no mínimo desrespeitoso. Por isso, e por sua postura de oferecimento público desmedido, não parece a opção ideal para a seleção brasileira. A boa fase que viveu no Flamengo foi muito mais uma consequência de um elenco qualificado e com os destaques numa fase incrível. Com certeza, teve méritos no processo, mas não hesitou em deixar o clube em direção ao mundo árabe. Por tudo isso, admitindo que Ancelotti é impossível, que Filipe Luís ainda carece de maturidade como treinador, e que José Mourinho há muito demonstra uma carreira em declínio, a melhor opção é mesmo Abel Ferreira. Além de competente, os muitos títulos no Palmeiras comprovam isso, é sério e tem liderança para mudar o perfil de comando da seleção brasileira. Abel Ferreira também não é um técnico submisso, do tipo que aceita ingerências ou interferências. E mais: é corajoso até para enfrentar a batalha diária com a Imprensa, jamais se intimida ou ‘faz média’ em suas respostas. Seu único defeito como treinador talvez seja o excesso de sinceridade, criando atritos com setores da mídia. Porém, sempre que percebeu que foi além do limite, de pronto se desculpou, independentemente de quem estivesse do outro lado, até mesmo torcedores. Nesse difícil momento da seleção brasileira, impõe-se um técnico com personalidade, histórico e liderança, para um choque de gestão. Abel é a melhor opção.