(Reprodução) Outro dia observando o pôr do sol na nossa linda cidade pensei em como valorizamos os pequenos detalhes quando estamos viajando e conhecendo novos lugares e quão pouco olhamos extasiados as belezas do nosso dia a dia. Na verdade, já passou da hora de revermos a nossa relação com a sensibilidade, com a percepção de enxergarmos aquilo que o estrangeiro enxerga no que vemos todos os dias. Está na hora de darmos lugar para a sensibilidade, para o erotismo, aprendendo e reaprendendo a apreciar as paisagens próprias de nossas intimidades. A solidão, o estresse, viver no piloto automático e outros males contemporâneos, são a expressão de uma miopia que não deixa ver os filhos crescerem, emagrecerem ou engordarem, ou mesmo se drogarem. Ela não nos deixa ver nada, nem nós mesmos. Diante de tão tenebroso quadro, creio que precisamos urgentemente trocar as lentes, aprender a reavaliar os sentidos e dar significados particulares a cada uma de nossas relações afetivas. Acho interessante dizer como é que tudo tem um significado universal, mas quero falar de significantes aquilo que sentimos diante de um fato ou uma situação a partir da nossa própria história. Nesse caso, o cotidiano se revela muito cruel, pois nessa miopia anunciada não se permite ver o colorido possível que podemos colocar nos hábitos, na cumplicidade, usando a criatividade para final atribuirmos significantes as coisas e aos relacionamentos de todo dia. Essa seria a resposta que eu daria aos homens que se queixam de algumas disfunções sexuais, que não se permitem buscar ajuda que sofrem em silêncio e pensam que tudo acabou. Sugiro atribuir um significante que vai além do prazer do momento, um prazer em dividir desejos e, principalmente, de estar junto de alguém com que se possa falar como se estivesse falando consigo mesmo. Infelizmente não foi assim que a maioria dos homens aprendeu a lidar com sua sexualidade: a ereção, o gozo e a busca do prazer sempre estiveram inseridos numa relação de poder e posse. Perder não é palavra que possa fazer parte do repertório sexual masculino. Enquanto tudo estiver cinza pela dor da perda, pela dúvida do presente, pelo medo da vida, que esse colorido surja das profundezas do ser, que é capaz de ser feliz através de atitudes que o coloquem nessa busca. Que o eu te amo seja de verdade a expressão do amor e não mais uma das frases prontas tão baratas que já estão nas bacias das feiras. Achei pertinente pensar nisso, pois estamos vivendo no meio de uma névoa de dúvidas e o cotidiano está permeado de falta de sentido. Devemos dar um sentido para a vida sempre, sendo homem ou mulher querendo com isso potencializar a nossa sexualidade ou mesmo dar mais colorido à nossa vida. Já passou da hora de sermos verdadeiramente sinceros com nós mesmos.