[[legacy_image_310852]] A taxa Selic caiu pela terceira vez seguida, a Bolsa começou a subir e algumas ações de empresas que sofrem com o crédito caro passaram a valorizar dois dígitos em um só dia. Portanto, chegou a hora de mergulhar na renda variável. Calma! É melhor segurar a euforia. O momento é de observar o campo para saber se está minado para investimentos de risco. O que se tem de concreto sobre a renda fixa é que os juros continuarão altos por pelo menos dois anos. É claro que os papéis corrigidos pelo CDI, que é atrelado à Selic, passam a cair automaticamente, mas o mercado estima que a taxa básica dificilmente ficará abaixo de 9% até o fim do próximo ano. Há outras variáveis internas, em especial a inflação, que segue controlada ao redor de 4% ao ano, mas que pode ser aquecida se o petróleo subir estimulado por eventual entrada do Irã na guerra Israel-Hamas, interrompendo o fluxo de petroleiros no Oriente Médio. Por enquanto, essa possibilidade parece baixa. Pelo contrário, o barril está em tendência de queda porque os EUA e China indicam, na média, permanecerão em baixa crescimento. Na Bolsa, seu comportamento é comandado pelas ações da Vale, Petrobras e bancos. Quando uma delas vai mal ou bem, o Ibovespa (índice com as 86 ações mais negociadas) segue caminho parecido. Essas gigantes, por serem as mais negociadas, são as preferidas dos grandes fundos, muitos deles internacionais. Quando há uma alta dos juros americanos, esses megainvestidores tendem a sair do Brasil para comprar papéis dos EUA, mais seguros e agora rentáveis. Simultaneamente, isso faz o dólar subir. Mas o Federal Reserve (BC americano) parou de subir os juros e o mercado se acalmou. Tanto as bolsas de Nova Iorque com a do Brasil voltaram a ganhar fôlego, assim como as criptomoedas (a regra é: quando os juros sobem, as bolsas perdem, ocorrendo o contrário com as ações se os juros caírem). Há ainda outra particularidade da Bolsa. Existem investidores que fazem o trade, comprando na baixa para vender na alta, induzindo os desatentos que a valorização será sustentável. Mas há a parcela que investe com olhar de sócio da empresa, vendo um potencial de crescimento no longo prazo, mesmo com quedas de tempos em tempos. A Bolsa garante ganhos muitas vezes rapidamente, mas a ganância e decisões precipitadas podem colocar tudo a perder.