(FreePik) De 1º de janeiro ao último dia 9, o Ibovespa valorizou 14%, superando a maioria dos investimentos. Porém, desse dia 9 até a quarta-feira passada, ele perdeu 4%. Foi no dia 9 que o presidente Donald Trump anunciou tarifa de 50% sobre o Brasil. E na quarta, ele isentou a taxa para 694 produtos – café e carnes não escaparam. Com ou sem isenção, essas notícias assustaram e fizeram o de costume na Bolsa, quando os investidores tentam ajustar as cotações conforme as novas condições. Como havia muita imprevisibilidade sobre o que realmente ocorreria e pode ocorrer com a tarifa, as ações das empresas mais atingidas passaram a perder valor. Veja as contas a seguir: Do começo do ano até 9 de julho, a ação da Embraer disparou 39%, mas desse dia 9 até a última quarta, afundou 6%. A fábrica de aviões sofreu porque seria a empresa mais prejudicada pela tarifa. Mas na última quarta descobriu-se que ela ficou isenta e seu papel subiu 10% em um só dia (percentual embutido no acumulado de -6%). A indústria paulista Tupy fabrica blocos e cabeçotes de motores para a Caterpillar e outras empresas. De janeiro a 9 de julho, a Tupy já ia mal na Bolsa, caindo 9%. Do dia 9 até a última quarta, afundou -8%. A Azzas, fusão da Arezzo com Grupo Soma (marcas Animale, Maria Filó, Dzarm, Farm, Cris Barros), tem 8,3% da receita com vendas aos EUA. De 1º de janeiro até o dia 9, sua ação subiu 25%. Do dia 9 até quarta, caiu 5%. A Weg, que fabrica motores elétricos, tem quase um quarto de sua receita proveniente de vendas aos EUA. De janeiro até o dia 9 desvalorizou 24%. Do dia 9 até quarta, ela perdeu 9,2%. Ainda não dá para saber se essas empresas (exceto a Embraer) pagarão tarifa mais alta ou se terão isenções. Mas o que o investidor precisa compreender com esses comparativos é que fatores políticos, catástrofes, guerras e até pandemias interferem nas companhias e em suas ações de forma inesperada. Por isso, é importante estudá-las para saber se estão robustas para enfrentar surpresas, se têm clientes por regiões e países diversificados, endividamento equilibrado ou se utilizam novas ferramentas para ganho de eficiência. Problemas acontecem, mas eles são potencializados conforme o despreparo. E isso pode causar muitas perdas ao acionista. Taxa Selic em 15% A manutenção da Selic em 15% ao ano na última quarta favorece o Tesouro Selic, que paga o mesmo que a taxa básica (porém, tem IR sobre o ganho). Mas se a Selic cair, o papel vai pagar essa nova rentabilidade. Por isso, vale para o curto prazo. Mais juros básicos O Tesouro IPCA segue atraente com taxas de até 7,8% ao ano. Mas é para o médio ou longo prazos. Se vai vender antes do vencimento, entenda de marcação a mercado ou consulte o gerente ou assessor para não fazer bobagem. Café despencando, mas... O preço do café pelo produtor, medido pelo IGP-M, da FGV, tombou 22,52% no mês passado. Pelo IPCA-15 (preço ao consumidor), a queda foi de apenas 0,36% em julho. Assim, ainda falta muito para o recuo chegar ao supermercado. Aviso: Esta coluna é apenas informativa e não faz recomendação de investimentos.