Os bancos pequenos geralmente lançam CDBs com taxas melhores do que as dos bancões (Carlos Muza/Unsplash) A liquidação do Master serve de alerta para o investidor que se deixa seduzir pela alta rentabilidade, sem se preocupar com o emissor dos títulos de renda fixa. Ações, câmbio e criptos são ativos de risco, mas papéis como CDB e debêntures (títulos de empresas), apesar de tecnicamente serem conservadores, podem se tornar arriscados. Os bancos pequenos geralmente lançam CDBs com taxas melhores do que as dos bancões porque têm poucas fontes de captação de recursos. Itaú, Bradesco, BB e Santander faturam alto com tarifas de uma massa de clientes e oferecem uma diversidade de títulos, fundos e linhas de crédito. O sinal de alerta deve ser ligado quando um banco começa a destoar dos concorrentes de porte parecido, com taxas muito altas. O Master, antes de sua crise estourar meses atrás, oferecia taxas agressivas de 140% sobre o CDI (referencial da renda fixa próxima à Selic). No seu auge, o Master virou o queridinho do mercado devido à alta rentabilidade, propagandeando que seus papéis tinham fundo garantidor, que cobre até R\$ 250 mil por CPF em caso de quebra. Porém, essa garantia é formada por recursos de todos os bancos, que terão que repô-los após uso por insolvência. Os meses se passaram, os problemas do Master apareceram, com o Banco Central vetando a venda de ativos da instituição ao BRB, estatal do Distrito Federal. A investigação que levou à liquidação do Master apontou créditos inexistentes negociados com o BRB, resultando em prisões e afastamentos. Alguns fundos de pensão de servidores têm milhões ou até bilhões no Master. A investigação indica que o Master é um caso isolado, com o setor bancário ainda sólido. Por isso, os papéis de renda fixa permanecem como uma oportunidade de retorno elevado, refletindo a Selic. Mas é importante ficar atento ao emissor – bancos ou empresas. No caso das companhias, algumas tiveram suas contas pioradas pelo aumento dos juros e passaram a ter dificuldade para honrar os vencimentos de seus papéis. Não é preciso ficar com medo desses investimentos. Questione seu assessor ou gerente sobre o risco de embarcar numa furada. É bom repetir. A regra é diversificar, sem aportar muito dinheiro em um só título. Esse cuidado vale tanto para atenuar uma desvalorização repentina como um calote. ESTA COLUNA É APENAS INFORMATIVA E NÃO FAZ RECOMENDAÇÃO DE INVESTIMENTOS. Criptos ainda assustam Após o recorde de 6 de outubro, a US\$ 126 mil, o bitcoin afundou 29%, para US\$ 89 mil na última 2ª. Outras criptos também recuaram entre o pico histórico e o fundo do poço no ano, como ether (-38%), solana (-48%), doge (-63%) e cardano (59%). Menos ruim A queda do bitcoin geralmente derruba as criptos. Mas houve quedas mais moderadas. A tron, entre seu pico no ano e a última 2ª, perdeu 21%, a hyperliquid, -32%, e a Zcash, -16%. A coluna considerou apenas as dez moedas mais capitalizadas. Fundo de RF sobe 74% O Journey Capital Vitreo Rdvt11 lidera o ranking de renda fixa do portal Mais Retorno em seis meses. O 2º lugar subiu 10,85%. O fundo tem papéis da Rodovias do Tietê, reestruturada após recuperação judicial, valorizando esses papéis. *Editor de Economia marcelo.santos@grupo-tribuna.com