(Reprodução) Quem precisa de despertador quando se tem um sabiá-laranjeira perto de casa? Pontual, começa a sua cantoria às 3h30 da madrugada. Um canto melodioso, que alcança quartos escuros onde meros mortais descansam o corpo para mais um dia de labuta. Sim, é gostoso acordar com o som de passarinhos. Por alguns instantes, conseguimos nos transportar para um ambiente rural, onde a vida parece passar mais devagar. Sem os ruídos do cotidiano urbano, o canto desta linda ave reina absoluto nas horas que antecedem o nascer do sol. Querido sabiá, uma curiosidade: precisa acordar tão cedo na primavera? Você nunca sente um pouquinho de preguiça? Vontade de dormir por mais algumas horinhas? Dia desses, o canto do sabiá-laranjeira se transformou em palavras, tal qual acontece com o bem-te-vi. Cada vez que cantava, eu ouvia: “me empresta aí duzentos reais”. Imagine isso na sua cabeça algumas dezenas de vezes! “Me empresta aí duzentos reais”. “Me empresta aí duzentos reais”. Antes que a loucura aumentasse e imaginasse qual seria a chave pix do sabiá, abri os olhos. Por um tempo aquela frase ainda ficou ecoando na minha mente. Um absurdo! Passarinhos não precisam de dinheiro. Podem voar, comer e beber de graça. Nos fins de tarde, o sabiá-laranjeira novamente nos encanta com a sua solitária sinfonia. Após mais um dia de luta, seu canto nas horas derradeiras do dia soa como um presente da natureza, um afago generoso em nossos ouvidos e corações. Ele não nos cobra nada. Não pede nada. Apenas vive. E expande sua luz com a sua melodia própria. Vida longa ao sabiá-laranjeira!