(FreePik) Tenho um pequeno quadro pendurado na parede da sala. É a reprodução de uma pintura do sol nascente. Um desenho simples, quase infantil. Dentro da pequena moldura de madeira, o sol nasce por trás de algumas montanhas em tons intercalados de marrom, laranja e caramelo. O céu é branco, o que sempre me causa a impressão de ver a tinta da parede invadindo aquela singela paisagem. O quadro que está na minha sala passa longe de ser uma obra de arte. Nunca foi exposto em uma galeria. É apenas uma pintura genérica, sem assinatura, reproduzida em grande escala para ser vendida em lojas de decoração. Há uns dois anos, quando vi este quadro praticamente esquecido em uma prateleira, senti vontade de levá-lo para casa. Naquele momento, não entendi o motivo. Só depois, com o passar do tempo, vi que meus olhos criavam uma espécie de conexão com a imagem do sol surgindo entre as montanhas. Em dias chuvosos, o sol estava ali, na parede, me lembrando que logo voltaria a brilhar imponente. Ensinou paciência, resiliência e esperança. Quando aqui era noite e dia no outro lado do mundo, o sol da minha parede não me abandonou. Continuou em sua eterna alvorada. Sem cliques, sem aplausos. Teve como testemunha apenas meu olhar. Naquelas horas, o pequeno sol mostrou a importância da lealdade. Reflexões à parte, o fato é que o sol não está nem aí para a gente. Não importa o que aconteça em nossas vidas, ele vai nascer e ponto. Queira você ou não. Boa lição para aprimorar um pouco o senso de humildade, já que sempre existirá alguém que pretende brilhar mais do que o próprio sol. Grande ilusão! Diante de tudo isso, só sei que na pálida parede o sol emoldurado se expandiu. Tornou-se valioso e inspirador, despertador celeste que me mostrou, com poucas cores e alguns rabiscos, as complexas verdades da vida.