(FreePik) Todo dia, todo mundo espera. Todo mundo espera todo dia. De noite e de dia, toda a espera. Toda a noite, todo o dia. Cada dia, cada noite, uma espera. O ônibus, a volta de um afeto, a mensagem de quem está ausente. A nova estação, a cura, a pizza chegar. Todo dia. A resposta, a conta, o aumento de salário. A estrela cadente, a solução do problema, o dia de se aposentar. Todo mundo. A hora da boia, o trovão depois do raio, o troco. O fim do mundo, o cachorro latir, o bebê falar. Espera todo dia. O efeito do remédio, a balsa, a novela. O reconhecimento, o aniversário, a chuva parar. De noite. A viagem, a ideia brilhante, o peixe morder a isca. O encontro, o gol do artilheiro, a tinta secar. De dia. O ponto certo da carne, o cabelo crescer, um milagre. O diploma, um final feliz, a bateria recarregar. Toda a espera. A permissão, o bilhete premiado, o elevador. O carnaval, o fim de semana, o café esquentar. Toda a noite. Um sinal de fumaça, a luz verde, o documento. O mapa da mina, a sobremesa, o refrão para cantar. Todo o dia. A fruta amadurecer, o perdão, um emprego. A porta se abrir, a encomenda, a ferida cicatrizar. Cada dia. Uma ilusão, o sorvete de casquinha, o banho quente. Uma nova amizade, a Copa do Mundo, a flor desabrochar. Cada noite. Papai Noel, a felicidade, a liquidação. O garçom, as férias, uma casa para morar. Uma espera. O beijo da namorada, a música preferida, a próxima prestação. Um pedaço do bolo, a palavra de incentivo, uma troca de olhar. Todo dia, todo mundo espera. De noite e de dia, toda a espera. Cada dia, cada noite. Todo dia espera a noite. Toda noite espera o dia. Todo mundo. Toda espera.