(Imagem ilustrativa/Pexels) O chato sabe que é chato. E gosta muito de ser. Para ele, um dia sem ser chato é uma tremenda chatice, é tempo desperdiçado. Sem querer sem chato, vou tentar contar como é a rotina de uma pessoa cricri. Pois bem, o chato já começa sendo chato quando acorda. Reclama do café, do pão, da temperatura, do sol, da chuva... Quando vai sair para trabalhar, sempre aciona os dois elevadores do prédio onde mora. Sabe que vai atrapalhar alguém que, assim como ele, está com pressa em algum outro andar. Impaciente, fica estalando a boca e apertando os botões sem parar. Dentro do elevador, a forma de demonstrar a sua chatice varia de acordo com o humor do dia. Pode ficar mudo e com cara de azedo ou inconveniente e falastrão. O chato também adora ser chato no trânsito. Na cidade, anda a 30 quilômetros por hora na faixa da esquerda e não deixa ninguém passar. Finge que não vê ninguém. Sua glória é imaginar que está atrasando a vida dos outros. Mas, se for ele a pessoa que precisa ir mais rápido, não admite que ninguém fique à sua frente. Buzina, joga farol alto, gesticula, xinga e esbraveja. Com raras exceções, o chato também é um sujeito muito egoísta. No trabalho, o chatonildo se orgulha, obviamente, de ser o “cara mais chato”. O que puder fazer para dificultar a vida dos colegas certamente fará. Se percebe que alguém não está em um bom dia, arruma picuinhas. É, acima de tudo, bajulador dos superiores hierárquicos. Mas, se trabalhar com o público, torna-se insuportável. Não alivia para ninguém. Na hora do almoço, fica uma eternidade escolhendo a comida na fila do self-service. À noite, não respeita a lei do silêncio, mas se está com sono e ouve o choro de um bebê ou o latido do cachorro do vizinho, se considera a pessoa mais injustiçada do mundo. Dentro do universo da chatice, existem muitos padrões de comportamento. E nem todos eles são compartilhados pelos chatos. Existem chatos em diferentes graus e com diferentes personalidades. Afinal, seria muito chato se todos os chatos fossem iguais. Tem o chato que gosta de fazer visitas sem ser convidado; o chatão que está sempre querendo falar e cumprimentar todo mundo (não adianta se esconder porque ele dará um jeito de falar com você), enfim, a lista é extensa e é chato ficar dando muitos exemplos. Por fim, com o surgimento das redes sociais, os chatos encontraram um campo fértil para levar a sua chatice a níveis jamais imaginados. Brigam entre si, publicam fotos com sorrisos artificiais, têm opinião sobre todos os assuntos e cansam a beleza de todo mundo. Quem nunca acompanhou pela internet, dias a fio, a viagem de um chato? Vai tomar café da manhã colonial? Publica uma foto. Vai passear de trenzinho? Outra fotografia! Aplicativos de mensagens também são um vasto campo para chatos. Áudios intermináveis, ligações de vídeo que não foram combinadas e muitas figurinhas irritantes. Não devemos esquecer, porém, que o sol nasceu para todos. Os chatos também amam e merecem ser felizes. Nos relacionamentos, o chato costuma ser mimado. Se a outra pessoa for chata, acho que está tudo certo. E se você, leitor, achou este texto chato, me perdoe. De chato e louco, todo mundo tem um pouco.