(Imagem Ilustrativa/Freepik) No futebol de alto nível, a discussão sobre peso corporal vai muito além da estética. Trata-se de fisiologia aplicada, performance e gestão de carga. Durante a temporada, oscilações naturais acontecem: viagens longas, jogos em sequência, mudanças de rotina e até momentos de menor minutagem podem levar alguns atletas a um aumento de peso corporal. E, se isso não for monitorado, os impactos chegam rápido, e quase sempre no campo. A ciência do esporte já mostrou que poucos quilos acima do ideal modificam a mecânica de movimento, prejudicam aceleração, diminuem potência de arranque e elevam o custo energético de cada ação. Ou seja: o jogador pode estar tecnicamente afiado e mentalmente preparado, mas se carregar mais peso do que sua estrutura está acostumada, o desempenho cai. E cai de forma silenciosa. Embora muitos imaginem que “perder peso” é apenas cortar calorias, no futebol a conversa é muito mais complexa. Reduzir massa corporal sem comprometer força, potência e massa magra exige estratégia, controle e conhecimento. Dietas muito restritivas derrubam energia, aumentam risco de lesão e prejudicam recuperação entre jogos — exatamente o oposto do que um atleta de elite precisa. Por isso, o caminho é integrado: nutricionista, preparador físico, fisiologista e treinador atuando juntos. Cada profissional observa uma peça do quebra-cabeça — gasto calórico nos treinos, composição corporal, características metabólicas, estilo de jogo, função tática e até aspectos emocionais. Ao longo da minha vivência na gestão de performance, vi que ajustes pequenos, feitos de forma contínua, funcionam melhor do que mudanças radicais. Ganhar ou perder peso na temporada é possível, mas precisa ser feito com o mesmo cuidado com que se monta um plano de treino. O primeiro passo é entender onde o excesso está: retenção hídrica? Gordura? Falta de gasto energético? Alterações do sono? Cada resposta leva a um plano diferente. Em muitos casos, o foco não é apenas “emagrecer”, mas recompor tecidos, ajustar hidratação, melhorar qualidade nutricional e equilibrar cargas. Sem acompanhamento, o risco é grande: cair de rendimento, perder velocidade, sentir mais cansaço e até comprometer semanas de trabalho. Para o atleta, alguns sinais costumam aparecer antes do “peso subir na balança”: sensação de lentidão, menor explosão, recuperação mais pesada, roupa de treino mais apertada. Ignorar esses sinais significa deixar que um problema simples vire um gargalo de performance. A rotina ideal combina alimentação estratégica, hidratação bem planejada, sono ajustado e controle de carga de treinamento. O objetivo não é “ficar mais leve”, mas ficar mais eficiente. No fim, perder peso com segurança não é sobre cortar, restringir ou “sofrer”: é sobre compreender o próprio corpo. E pedir ajuda não é sinal de fraqueza e sim, sinal de profissionalismo. Nutricionistas, fisiologistas e preparadores físicos existem justamente para transformar números, hábitos e escolhas em desempenho real. Dentro e fora do campo, manter o peso ideal é uma ponte direta para reduzir risco de lesão, ganhar velocidade, preservar energia e aumentar longevidade esportiva. A temporada é longa. E quem cuida do corpo com método joga melhor, joga mais e por mais tempo.