Maxwell Rodrigues (ao microfone), Mariana Pescatori e o consultor portuário Luis Claudio Montenegro (Sílvio Luiz/ AT) “Leme ao meio!” A voz do comandante rompe o silêncio na ponte de comando após uma longa e intensa sequência de manobras. “Rudder amidships, aye captain!” — responde o timoneiro, aliviado por enfim alinhar a embarcação após deixar a zona confinada do porto. Cada ajuste até ali exigiu precisão milimétrica — sem espaço para erro, sem margem para hesitação. Agora, com o mar aberto à frente e a costa se afastando no radar, vem a próxima ordem: “Motores a toda força à frente!” “Velocidade máxima à vante, capitão!” — confirma o primeiro oficial. O comandante então se recosta na cadeira, encara o horizonte e, ao tomar um gole de café, pensa: “Muito bem… o oceano aberto nos espera.” Essa é a imagem que eu e meu grande amigo Maxwell Rodrigues escolhemos para inspirar a coletânea de artigos do livro Rudder Amidships – Velocidade Máxima Avante, lançado neste mês pela Editora MLaw Academy. O livro é resultado de quase quatro anos de reflexões publicadas no jornal A Tribuna. O gesto simbólico do leme ao centro, seguido do avanço em potência máxima, traduz fielmente o espírito dessa seleção de textos — que agora prestamos homenagem pelos 130 anos desse importante veículo de imprensa, que trata o setor portuário como prioridade absoluta. Assim como um navio enfrenta marés, ventos contrários e desafios operacionais para deixar o porto, os temas abordados nos artigos refletem a trajetória dos portos brasileiros — com destaque para o de Santos — em meio a obstáculos complexos, entraves regulatórios e gargalos logísticos. Mas não se trata apenas de identificar problemas. Os textos reunidos buscam também apontar caminhos, propor soluções e estimular o debate técnico e estratégico com toda a sociedade. Por isso, o comando “rudder amidships” marca, simbolicamente, o momento em que temos todas as condições para seguir adiante com segurança e clareza de rumo. Os artigos do livro foram agrupados metodicamente em temas de grande relevância, sendo o primeiro deles o que aborda o estabelecimento claro de objetivos e metas — elementos essenciais em qualquer planejamento estratégico setorial. O segundo agrupamento trata da logística portuária, suas tendências, aplicações, desafios, oportunidades e abordagens que, muitas vezes, passam despercebidas pela sociedade. Lembra-se da logística quando um produto falta na prateleira ou quando os preços elevados exigem atenção redobrada aos fluxos logísticos que garantem nosso acesso ao mundo. O terceiro grupo reúne artigos que abordam talvez o maior desafio do setor portuário: o alinhamento institucional necessário para que debates, propostas e decisões se transformem em soluções efetivas. O quarto grupo reúne os conceitos e definições essenciais. Tenho me pautado fortemente por princípios e fundamentos. A falta de compreensão desses elementos básicos nos faz caminhar em círculos, repetir erros primários e pagar caro por isso. Outro agrupamento indispensável é o que trata do planejamento portuário. Diria o mestre Nilson Holanda: “Planejar não é prever o futuro, mas tomar ações hoje que garantirão o futuro que queremos.” Esses quatro anos de artigos refletem um verdadeiro filme de um período essencial na história portuária brasileira. Um tempo no mínimo estranho, em que os portos nunca deixaram de ser solução — mesmo diante de intensos debates políticos ou pandemias inimagináveis. A decisão de avançar com velocidade máxima à vante é mais do que uma metáfora. É um chamado à ação. Os diagnósticos estão feitos. As propostas estão sobre a mesa. O tempo de hesitação acabou. Persistir na inércia é aceitar a formação de gargalos que comprometerão o desenvolvimento econômico e logístico do Brasil. Que essa travessia, feita com firmeza no leme e força plena nos motores, inspire os próximos passos de todos que, como nós, acreditam no potencial transformador dos portos brasileiros. *Engenheiro civil e mestre em Engenharia de Transportes pelo Instituto Militar de Engenharia