(Imagem gerada por IA) O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima a projeção de crescimento do PIB do Brasil em 2024, passando de 2,1% para 3%. Essa atualização reflete um desempenho econômico mais forte do que o esperado, impulsionado por um aumento no consumo privado e investimentos, além de um mercado de trabalho aquecido e medidas governamentais que ajudaram a economia a se recuperar melhor do que o previsto. Junto com a boa notícia, a organização internacional também alertou para uma provável dificuldade de manter esse padrão de crescimento em 2025 e um dos fatores considerados foi uma percepção de pressão inflacionária que pode afetar, por exemplo, o consumo. E qual seria o papel da logística nesse resultado? Não é certo que o custo da logística tem influência tão perversa quanto a inflação? Em geral, olhamos para a economia pelos seus resultados finalísticos como o consumo, os investimentos, os gastos governamentais e as exportações. Mas seria importante refletirmos como a logística nacional afeta esses fatores. Se a inflação sobe, a reação nacional é imediata e políticas econômicas e debates de todas as ordens surgem de imediato para contê-la. Tais esforços também não deveriam ter a mesma magnitude quando falamos dos custos logísticos? O PIB brasileiro em 2023 foi de R\$ 10,9 trilhões. O Instituto Ilos indicou um custo logístico da ordem de 18,4% do PIB no mesmo ano. Enquanto isso, há diversas referências que apontam que o custo da logística norte-americana, por exemplo, é algo em torno de 8,5% daquele país. Assim, se tivéssemos um desempenho semelhante na nossa logística, haveria uma redução do atual custo logístico em cerca de 10% do PIB, ou cerca de US\$ 198 bilhões por ano. Esse gap da logística brasileira em relação ao benchmarking internacional significa algo em torno de US\$ 16,5 bilhões a cada mês - mais de US\$ 500 milhões por dia ou, ainda, mais de US\$ 6 mil de desperdício por segundo com uma logística ineficiente. A título ilustrativo, com essa economia, seria possível construir, por ano, 33 túneis Santos-Guarujá, implementar 198 terminais STS10 ou executar, em um só ano, mais de 20 vezes o investimento de capital que a Ferrovia Centro Atlântica (FCA) se propõe a fazer em 32 anos na sua proposta de renovação da atual concessão junto ao Governo Federal. Entendo que faria todo sentido trazer o custo logístico para o centro das decisões econômicas nacionais. Assim como o controle da inflação é visto como prioridade, a redução dos custos logísticos deveria ser tratada com a mesma urgência, pois os seus efeitos perversos são tão impactantes quanto os da inflação. Ao investir em infraestrutura e modernizar sua logística, o Brasil tem o potencial de converter perdas em ganhos expressivos, impulsionando o crescimento econômico. A melhoria da eficiência logística não só reduziria custos operacionais, como também aumentaria a competitividade dos produtos nacionais, tanto no mercado interno quanto no externo. Essa redução de custos teria um efeito cascata, elevando a capacidade de investimento das empresas, promovendo ganhos de produtividade e, consequentemente, criando mais oportunidades de emprego e desenvolvimento. O próprio Ilos indicava que nosso custo logístico era 10,6% do PIB em 2010. O que aconteceu com a nossa logística nesses últimos 14 anos não poderia ser evitado? Estamos consumindo todo o nosso esforço para crescimento com uma eficiência logística nacional que vem se deteriorando a cada ano. São US\$ 6 mil a cada segundo. Tic-tac, tic-tac...