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O futuro da proteção de dados e a preocupação com os constantes ataques cibernéticos

Maioria das empresas quer investir mais em cibersegurança em 2021

Por: Leonardo Barbosa Delfino  -  04/03/21  -  17:28
Constantes ataques hackers estão acontecendo em aplicativos celulares
Constantes ataques hackers estão acontecendo em aplicativos celulares   Foto: Imagem Ilustrativa/Unsplash

Diante dos crescentes ataques cibernéticos contra as empresas no Brasil ao longo de 2020, facilitados pela implantação do home office na pandemia, essas ameaças entraram no radar de muitas organizações e passaram a ser alvos de preocupação ainda maior.


Uma pesquisa da PwC com mais de 3.200 executivos e profissionais de TI de 44 países, incluindo o Brasil, aponta que, para 57% das empresas, os investimentos em cibersegurança devem aumentar em 2021 em comparação com o ano passado. Além disso, metade das companhias quer incluir a segurança cibernética e a privacidade em todas as decisões de negócios.


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Apenas nos dois primeiros meses de 2021, já foram noticiados dois grandes vazamentos de dados pessoais, que teve como resultado a vulnerabilidade das informações de milhões de brasileiros. O primeiro caso, que ocorreu pela deep web (área da internet com pouca regulamentação), atingiu os dados de 220 milhões de pessoas, incluindo já falecidas, enquanto o segundo resultou no vazamento dos dados de 100 milhões de brasileiros, clientes de empresas de telefonia.


Mas estes crimes não estão ocorrendo apenas em território brasileiro. O Facebook, em 2019, teve o seu banco de dados, com informações de 419 milhões de pessoas, foi divulgado na internet, conforme noticiado pelo site americano TechCrunch.


E não pense que essas são as únicas fontes em que os cibercriminosos atacam para aplicar golpes na internet. A estratégia deles transita também em sites de anúncios, como a OLX, plataformas de empregos, como Infojobs, bancos em geral e qualquer outro tipo de site que armazena dados pessoais.


Cruzamento de dados pessoais


E você deve pensar que a maior preocupação está voltada ao ataque às instituições financeiras, né? Acredite se quiser, a principal preocupação com esses ataques não está voltada aos bancos, e sim ao cruzamento de dados que pode ser realizado quando há informações muito específicas de um usuário. Por meio de robôs, ou bots, como são conhecidos no mundo da internet, que se tratam de softwares programados para uma determinada ação, é possível vasculhar diversos sites e realizar a sincronização de bases de dados em questão de segundos.


Segundo especialistas, a realização de cruzamento de dados pessoais básicos como origem, genética, biometria, componentes de saúde e, até mesmo dados mais privado, como a orientação sexual e religiosa, pode formar a pessoalidade de cada pessoa, o que é de extremo perigo.


E como faço para evitar os golpes realizados na internet?


Muitos de nós colocamos 100% da responsabilidade sobre os dados às empresas para as quais eles foram cedidos. No entanto, temos responsabilidade direta sobre eles e precisamos agir de modo a tentar diminuir, o máximo possível, as chances de sermos expostos. Para isso, algumas medidas preventivas são importantes.


A orientação dos profissionais de segurança digital aponta para a instalação de antivírus, realizações de atualizações e trocas de senhas esporádicas, esses são os meios mais eficazes de se proteger. Ações essas que estão sob alcance de qualquer pessoa, podem impactar na proteção e diminuir as possibilidades de golpes na internet.


E as responsabilidades das empresas sobre nossos dados, como fica?


A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que está em vigor desde 18 de setembro de 2020, é uma legislação que busca alinhar e unificar a maneira que são realizados a captação e o tratamento de dados pessoais por parte de empresas brasileiras ou estrangeiras que utilizam informações de brasileiros.


Nesta lei, foram impostas diversas obrigações às instituições, sob risco de punições judiciais. Entre essas medidas, estão:


- Manter registro das operações de tratamento de dados pessoais;


- Indicar um encarregado como responsável pelo banco;


- Adotar medidas para proteção das informações; e


- Comunicar à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) a ocorrência de problemas que possa acarretar risco ou dano relevante ao banco.


Devido a isso, as empresas estão investindo continuamente em tecnologia e funcionários para lidar com essas questões. Porém, ainda há um grande impeditivo: o mercado tem dificuldade em encontrar profissionais qualificados. Segundo dados da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), até 2024, o mercado de TI terá demanda de 420 mil profissionais da área, sendo que anualmente apenas 46 mil pessoas se formam para este trabalho.


O fato é que a transformação digital é um caminho de mão única, onde não é possível retornar, portanto, é de suma importância que as empresas acompanhem o ritmo da aceleração tecnológica e criem mecanismos para a proteção de ataques.


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
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