(Divulgação) Vários colegas jornalistas atribuíram ao conhecido transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) de Roberto Carlos o fato do rei não ter pronunciado a palavra ‘ruim’ na letra de Chove Chuva, sucesso de Jorge Ben Jor da década de 1960. O fato ocorreu durante seu tradicional especial de fim de ano, exibido pela TV Globo no último dia 23. O verso “Por favor chuva ruim/Não molhe mais o meu amor assim” teve a palavra misteriosamente subtraída durante a apresentação dos dois no programa. Um deles lascou logo no título, em um bem-humorado texto: “Roberto Carlos ficou tão careta que não canta nem mais chuva ruim”, afirmou. Desta vez, no entanto, apesar de todas as premissas em contrário, a maluquice de alterar expressões em suas letras era mesmo do seu ex-vizinho tijucano e autor da canção. Já não é de hoje que o ex-Jorge Ben e agora Ben Jor pegou essa mania. Já alterou várias outras canções suas, como Fio Maravilha, que virou Filho Maravilha, País Tropical e Que Maravilha. No caso de Fio Maravilha, consta que o ex-jogador tentou processar o compositor. Seu objetivo era arrancar um ‘troquinho’ de Jorge Ben pelo uso de seu nome. O processo durou anos, a canção virou Filho Maravilha e acabou tudo em paz com o arrependimento do craque. Já sobre a mudança em Chove Chuva, Ben Jor nunca explicou as razões. Roberto Carlos, por sua vez, é sempre bom lembrar, não costuma lançar mão do mesmo expediente. O Rei prefere mesmo é esquecer e não cantar mais a canção. Este, por exemplo, foi o caso de um de seus maiores sucessos, ainda dos tempos da Jovem Guarda: Quero que Vá Tudo pro Inferno. A canção foi enterrada eternamente por ele. Há, no entanto, uma alteração curiosa, e do bem, em uma das canções de Roberto interpretadas no especial deste ano. No sucesso Amigo, feita em homenagem a Erasmo Carlos, o Rei trocou “mas é muito bom saber que você é meu amigo” para “é muito bom saber que Erasmo é meu amigo". Neste mundo de trocas, vale lembrar também a razão pela qual Jorge Ben mudou seu nome para Jorge Ben Jor. Segundo ele, durante uma entrevista ao saudoso Jô Soares, a troca se deu por um problema com direitos autorais. Os royalties da canção Mas que Nada, seu maior sucesso mundial, nas várias versões de Sérgio Mendes, estariam sendo desviados para George Benson, confundido com seu estrondoso sucesso This Masquerade (com Leon Russell). Faz sentido: afinal, nomes e canções são, de fato, parecidos. Ao fim e ao cabo, com a absoluta falta de notícias desta fase das festas, inventa-se mais uma polêmica como esta sem a menor importância.