(Reprodução/X) O cantor e compositor Milton Nascimento foi indicado ao prêmio Grammy pelo álbum Milton + Esperanza, na categoria de Melhor Álbum Vocal de Jazz. O álbum traz várias canções de Milton, de Spalding e também de outros compositores, inclusive A Day in The Life, de Lennon e McCartney, e Earth Song, de Michael Jackson. Uma semana antes da cerimônia, realizada no domingo, Milton compartilhou um vídeo em que afirmava que iria para Los Angeles, nos Estados Unidos, participar do Grammy 2025. Entusiasmado, nosso Bituca afirmou: “Oi, pessoal! Acabei de entrar nesse avião para ir a Los Angeles concorrer ao Grammy Awards. Conto com a torcida de todos vocês”, disse ele na gravação. Já na legenda, ele ainda afirmava confiante: “Espero trazer esse prêmio para o Brasil!” Milton e Esperanza perderam o Grammy 2025 para o disco A Joyful Holiday, de Samara Joy. Não há problema algum, vencer e perder faz parte do jogo. O que absolutamente fica fora de qualquer parâmetro de respeito foi o tratamento dispensado ao cantor e compositor brasileiro: ele foi impedido de entrar no salão principal da premiação. O desrespeito foi tanto que a própria Spalding, que estava sentada em uma das mesas, levou uma foto do Milton com a frase: “This living legend should be seated here”. Em tradução livre: “Esta lenda viva deveria estar sentada aqui”. É importante ressaltar que Milton Nascimento não é uma lenda apenas no Brasil. Ele já gravou com vários músicos importantes de todo o planeta, entre eles o compositor e saxofonista norte-americano Wayne Shorter (1933-2023), no álbum Native Dancer, de 1975. Além disso, Milton já venceu o Grammy em 1998, na categoria de Melhor Álbum de World Music, pelo disco Nascimento (1997). A assessoria de Milton afirmou ter recebido como explicação da organização do Grammy que, quando questionados pela equipe de Esperanza, alegaram que ficariam nas mesas apenas os artistas que eles queriam no vídeo. A equipe de Milton contou ainda que, para o cantor mineiro, foi reservado um local nas arquibancadas, “desconsiderando não só toda a sua trajetória e prestígio em todo o mundo, como a sua idade avançada e impossibilidade de subir ou descer escadas”. No mais, fica com este episódio estampado para a posteridade o desprezo que os vizinhos do Norte sempre dispensam ao latino de maneira geral. No dia de sua posse, por exemplo, o presidente americano Donald Trump respondeu à repórter da TV Globo, Raquel Krähenbühl, sobre a relação dos EUA com o Brasil e a América Latina: “A relação é excelente. Eles precisam de nós, muito mais do que nós precisamos deles. Não precisamos deles. Eles precisam de nós. Todos precisam de nós.” Milton Nascimento, ao contrário do que possam imaginar, não precisa do Grammy e muito menos dos EUA para manter seu lugar na história como um dos grandes gênios da música. Os norte-americanos, assim como todos os povos, são capazes de formar e entregar ao mundo artistas excelentes, geniais. Nunca, no entanto, conseguiram, e jamais conseguirão, produzir um Milton Nascimento. Jamais.