(Divulgação) A grande e boa novidade aos que reclamam por algo de diferente e instigante em nossa música é o álbum de estreia da banda Baile do Mar. Ele sobe para as plataformas digitais amanhã, e é um petardo que mistura tendências e musicalidades. O projeto faz uma ponte certeira entre a tradição, a ancestralidade, e os sons modernos, sem cair em modismos nem folclorismos. O Baile do Mar conta com uma reunião de músicos experientes de várias facetas diferentes. Um grupo de instrumentistas excelentes com sede do novo e paixão pela música – quase que em sua maior parte instrumental. Com um som quase discreto, agradável e rico, que faz dançar e ouvir, o álbum se desdobra cuidadosamente entre diversos temas compostos pelos próprios integrantes Daniel Cancello, João Felipe Graf e Gustavo Cék. Nas duas pontas do grupo estão integrantes da big band paulistana Funk Como Le Gusta. Na bateria, Gustavo Cék, nos metais, Maestro Tiquinho no trombone; Hugo Hóri, sax e flauta; e Paulinho Viveiro no trombone. Além deles, Daniel Cancello nos sopros; Matheus D’art, guitarra e teclado; João Felipe Graf, guitarra e cavaco; Felipe Barci no baixo; Gabrielle Silveira na percussão, além da participação da cantora Monna em duas faixas. A cereja do bolo fica por conta de Marco Cancello, ex-integrante da Sinfônica Municipal de São Paulo e exímio músico de jazz, também nos sopros. Tentar definir o álbum em poucas palavras é tarefa árdua. A formação, com metais e uma banda básica, dá pistas do tipo de sons que perseguem, mas as surpresas vão muito além. O que se ressalta de saída é a execução, com tempos e dinâmicas exatos, vigorosos, frases rápidas e, ao mesmo tempo, limpas. Em momento algum caem na tentação do improviso excessivo, do exibicionismo. As exposições, e isso talvez seja o ponto alto, servem aos temas e nunca o contrário. E os temas são rápidos, bonitos, diretos. Heroína, de Gustavo Cék, por exemplo, nos remete às grandes composições do cinema, como Peter Gunn, de Henry Mancini e outros bons momentos de Lalo Schifrin. O casamento do ataque dos metais com a banda é exato, vigoroso, em contraste, por exemplo, com a leveza e beleza de Pescadores, de Daniel Cancello. Nesta, as flautas seguem quase uma procissão emocionante de múltiplas vozes, acompanhadas ao longe por um rufar de caixa. Já em uma terceira ponta, aparece o belo e alegre ska Reboliço, de João Felipe Graf, com destaque para o improviso de sax soprano de Daniel Cancello, repleto de escalas orientais. O álbum ainda conta com duas canções que trazem a ótima e vigorosa interpretação da cantora Monna. Madá e Povos dos Mares, as duas de Gustavo Cék, parecem dialogar entre si e também com o universo de Dorival Caymmi. Há muito mais o que falar sobre este álbum que, assim espero, seja o despertar de vários outros que a banda Baile do Mar venha a gravar. Músicos que correram mundo, tocaram em vários palcos e, agora, parecem se encontrar em uma agradável e talentosa festa no Litoral de São Paulo.