[[legacy_image_303147]] Na série de viagens pela costa sul até o Farol de Santa Marta, Avelino Bastos passou a desbravar o mercado de pranchas. Ele sempre voltava com uma ou duas encomendas. A cada entrega, mais e mais surfe e pedidos na bagagem. Ele conheceu vários fabricantes do sul, entre eles Magrão Fumaça e César Pegoraro da Raízes Surfboards. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! No primeiro semestre de 1980, aceitou o convite e passou uma temporada shapeando, em Imbituba, ao lado do amigo e laminador China. Antes disso, Avelino já tinha se unido ao Zeca Eira da Over Reef, e juntos começaram a fazer a prancha Tropical, em Santos. No final de 1980, Avelino aproveitou sua veia itinerante, prestou vestibular em engenharia para a Federal de Santa Catarina, conciliou com a produção no sul do país, selando seu destino. Morando em Florianópolis, Avelino e Zeca fundaram a Tropical Brasil. No começo de 1981, eles convidaram Aníbal Fernandes, o "Tchubiba" para ser o lixador da fábrica. A sugestão de incluir o nome Brasil teve a benção de Cisco Araña. A criação da logomarca icônica veio do talentoso amigo Marcelo Fukuda, convocado para representar nesse gesto, a alegria do surfe. As palmeiras vieram da marca original Tropical de Santos e o tucano, das aves de estimação que Avelino vivia pintando em suas pranchas. Para promover a marca, Avelino ouviu a sugestão de Paulo Issa e formou uma equipe de competição. Em Santa Catarina atraíram o campeão catarinense, Roberto Lima, e a jovem promessa David Husadel, com 17 anos. No primeiro campeonato, David venceu e Lima chegou à semifinal. Em janeiro de 1982, no histórico Campeonato Olympikus de Surfe, a Tropical Brasil montou uma super equipe, incluindo santistas ilustres, como Cisco Araña, o campeão Luis Neguinho e o vice Maurício Orelhinha. Nessa mescla entre surfistas santistas e catarinenses, a Tropical alcançou as melhores posições na competição. Em 1983 Avelino resolveu se reconectar ao passado, foi para a Europa, conheceu familiares e se afastou do trabalho por três meses. Em Biarritz voltou ao surfe, reviu amigos e trabalhou para a grande fabricante francesa, a Stark Surfboards. Depois viajou para San Diego, na Califórnia, e foi contratado pela Nectar Surfboards, a maior fabricante de pranchas dos Estados Unidos. Em 1984, depois da temporada no exterior, Avelino voltou ao Brasil, retomou o seu projeto e reorganizou a Tropical Brasil com o Tchubiba, profissional importante para o sucesso da marca. Munido de uma nova visão de surfe, apostando na juventude para fortalecer e globalizar a marca, conheceu Teco Padaratz, uma joia do surfe amador. Avelino conseguiu atrair Teco e outros jovens surfistas, como Neco e Peterson Rosa. Quando a ISA (International Surfing Association) fez o convite para a inscrição de uma equipe brasileira no mundial de surfe na Inglaterra, as portas se abriram para um novo universo: o surfe de competição internacional. A Tropical Brasil se desenvolveu em uma velocidade assustadora, na medida em que o surfe brasileiro também progredia num ritmo inédito. Os campeonatos ganhavam em expressão e surgiam novos patrocinadores e canais de comunicação, com revistas e programas de televisão voltados para o mundo do surfe. O surfe amador se desenvolveu preparando surfistas competitivos para fazer frente aos maiores competidores do mundo. Avelino entendeu que com as pranchas de surfe não seria diferente. Ele uniu o conhecimento científico ao desenvolvimento das habilidades dos surfistas para o sucesso da marca. Hoje a fábrica conta com 30 profissionais e já produziu mais de 100 mil pranchas em sua trajetória. Avelino deve muito a cultura de surfe desenvolvida no universo de surfe santista, uma cidade que viveu fora das grandes capitais e metrópoles e criou seu próprio universo. Ele buscou inspiração na genialidade de grandes mestres como Pascoal, Limoeiro, Homero e Akira. Todos eles o influenciaram de alguma forma. Era um público alternativo, com uma cultura e linguagem próprias, aprendidas na escola de surfe do Quebra-Mar santista. Um ecossistema próprio, criativo, sarcástico e muito divertido. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal.