Ronaldo (à esq.) foi o primeiro campeão do RN (Reprodução) Filho de Bitamar Bezerra Barreto, um fazendeiro da cidade de Currais Novos, e de Hilma Teixeira de Macedo, de Lages, cidades do interior do Rio Grande do Norte, nascia em 22 de janeiro de 1956, em Natal, Ronaldo de Macedo Barreto. Ainda bebê, Ronaldo foi com a família para Currais Novos, onde permaneceu até os 5 anos de idade. A volta para Natal se deu também com a compra de uma casa nos arredores da capital, reduto de férias da família e fonte das suas primeiras lembranças no mar. Aos 8 anos, ele pegava ondas de peito numa pranchinha de isopor que, aos poucos, foi ganhando o incremento de quilhas. Em 1966, Ronaldo teve contato com a primeira turma de surfe do estado, entre eles Iran da Hobie, Fernandes, Flávio Alcides e Pedro Neto, pioneiros surfistas e suas pranchas ocas de madeira. O surfe moderno apareceu na vida de Ronaldo em 1972, quando ele tinha 16 anos de idade. Ronaldo estudava no Colégio Marista com os irmãos cariocas, Marquinhos e Rossé. Eram deles as duas pranchas de fibra que seduziram o potiguar a matar as aulas para surfar o sonho diariamente. Ele não parou mais. Convenceu o pai a comprar uma Hati Surfboards 7’2’’, linda, vermelha, na Galeria River do Rio de Janeiro. Ele viajou de ônibus para a capital carioca, onde recebeu o apoio da tia Glícia e dos primos que moravam em Botafogo. A turma de surfistas potiguares crescia a cada dia. Carlos Magno, Abacate, Edé, Ratinho, Jorge Dumbo (irmão de Felipe Dantas), Ivo Cabeção, Luruca, Cacaio, Dentinho, Sérgio Alcides, entre outros, exploravam novas praias, atravessando para os estados vizinhos. Nessa época, os primeiros torneios foram organizados na região. Ao vencer o primeiro Campeonato Potiguar, Ronaldo fez história. Eles não pararam por aí. Os nordestinos viajavam até Saquarema, no Rio, para enfrentar a elite do surfe nacional nos icônicos Festivais de Surfe. À medida que o tempo passava, Ronaldo se envolvia com novos surfistas de outros cantos do Brasil. Numa das idas a Saquarema, hospedado na casa de Marquinhos, Ronaldo Barreto conheceu o shaper e big rider Gary Linden, que vivia num quartinho da propriedade com sua esposa Cindy. Antes de retornar aos Estados Unidos, Linden vendeu sua fábrica completa para Ronaldo e Carlinhos. Nascia a Roca, primeira fábrica de pranchas do Rio Grande do Norte. A fábrica foi de fundamental importância para o crescimento e desenvolvimento do surfe na região. Influenciados pelas norte-americanas Surfer e Surfing Magazine, Ronaldo e Carlinhos diminuíram o tamanho das pranchas acima de 7 pés compradas da Região Sudeste, criando pranchas adaptadas para as ondas nordestinas, com menos força e tamanho em relação ao Sul do País. Em 1974, a sociedade na Roca foi desfeita e Ronaldo fundou a Radical Surfboards. Em 1976, começou uma nova fase no surfe da região, com a criação de equipes de surfe. Normalmente integrada por quatro surfistas, as equipes duelavam no Rio Grande do Norte e nos estados vizinhos. Nesses 50 anos de atividade, a Radical atraiu e desenvolveu diversos talentos, surfistas do próprio estado, como Felipe Dantas, Sérgio Testinha, Joca Junior, Fabrício Junior, Hertz, Marcelo Nunes, Danilo Costa, Hemerson Marinho, Aldemir Calunga, Felipe Barreto, Fabinho Gouveia, Jadson André, entre outros, assim como fora do estado, como Cauli Rodrigues (RJ), Geraldo Ritter (RS), Edson Fylik (PR), Gabriel Macedo (BA), Hilton Issa (BA), Saulo Carvalho (PB), Romero Jucá (CE), Tita Tavares (CE), Dunga Neto (CE) e Fabinho Silva (CE). Longe das competições, hoje a Radical está focada em clientes que querem uma prancha de qualidade. Ronaldo é casado com Vanessa Leite, sua fiel escudeira na vida pessoal e profissional desde a criação da Radical. A união trouxe dois filhos: Felipe e Juliana Barreto. Felipe Barreto teve uma carreira brilhante nas categorias de base, sendo vice-campeão brasileiro grommet e mirim, além de sexto na categoria júnior, além de integrar a equipe brasileira no Mundial Amador disputado no Rio de Janeiro. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal