[[legacy_image_306489]] Uma carta vinda do Brasil selou o destino do casal português Mário Loureiro e Maria Celeste de Jesus. Os dois eram vizinhos na vila de Santa Marinha do Zêzere, em Portugal, e abraçaram a oportunidade para emigrar e fazer a vida na antiga colônia portuguesa, do outro lado do Atlântico. O convite para trabalhar na construção civil veio de um amigo que já vivia no Brasil. A experiência em carpintaria e marcenaria foi o início de uma jornada que não terminaria com Mário e Maria Celeste. Em 1958, no ano em que o Brasil comemorava a conquista da Copa do Mundo sob o ritmo da Bossa Nova, nascia no dia 20 de dezembro, o primeiro filho do casal, Norberto Castro Loureiro, herdeiro da tradição familiar. Norberto, ou Beto, cresceu nesse ambiente de artesãos. Aos fins de semana, a família se reunia nas praias do Guarujá. O interesse de Beto pelo surfe nasceu desse contato com o mar. Por volta de 1970, aos 12 anos, Beto ganhou uma prancha de isopor e teve a ideia de colocar uma quilha de madeira. O talento do futuro shaper se realizava pela primeira vez na fabricação da quilha na oficina do pai, a Marcenaria e Carpintaria Primavera, na Avenida Nilo Peçanha, 1.187. As aulas de Educação Física do Colégio Vila Mathias, onde Beto estudava, eram realizadas na praia do Posto 2 em Santos. Foi lá que o aluno do ginásio conheceu uma prancha de fibra. Nessa época, o vizinho e amigo Milton Santana fez a sua primeira prancha de fibra de vidro. Atento, Beto aprendeu o processo e, a partir de 1975, tornou-se fabricante de longarinas para shapers da região e, pouco tempo depois, ele passou também a fabricar quilhas de fibra. Em 1976, Beto produziu seu primeiro shape (uma monoquilha), aplicou o glass, mas sem o domínio completo no processo de fabricação, entregou para outro fabricante, o Akira, finalizar a prancha. A realização aconteceu no ano seguinte, numa histórica e marcante biquilha, testada e aprovada pelos amigos surfistas. O sucesso do empreendimento foi o início da trajetória profissional nesse universo do surfe. E assim os anos foram se passando, na medida em que a procura pelas suas pranchas crescia. Já em 1980, Beto obteve o licenciamento das pranchas Viking Surfboards do Christian Wolthers, parceria que perdura até hoje. Sem abandonar o mar, Beto desbravou diversos picos pelo mundo. Em 1984, ano em que a Ripwave foi fundada, foi ao Peru com os amigos Roberto Santini (A Tribuna), Zeca Eira (Over Reef) e Dão, de Brasília. No ano seguinte conheceu a Costa Rica e em 1989, o Havaí. Anos depois, em 1996, Beto voltaria ao arquipélago havaiano já como licenciado/fabricante das pranchas Town & Country no Brasil, sendo convidado para o meeting anual da marca. Em 1997, o sonho das ondas perfeitas da Indonésia se realizou ao lado de amigos. Beto aproveitava as viagens como um laboratório de aperfeiçoamento e conhecimento para desenvolver novos shapes e modelos de pranchas para ondas específicas. Hoje, aos 47 anos de profissão, Beto já produziu mais de 37 mil pranchas, muitas para grandes nomes do surfe de competição. Em 1985, foi criada a primeira estrutura de equipe com técnico. Diniz Iozzi, o Pardhal, foi convidado a comandar a equipe, formada por Wagner Pupo, Zé Paulo, Rogério Alemão, Fernando Macaco, Renan Rocha, Piu Pereira, Picuruta Salazar e outros no Circuito Brasileiro. Desde o nascimento, a Ripwave Surfboards se mantém no mesmo endereço familiar, fabricando pranchas sob medida e personalizadas. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal