Formado em Engenharia Industrial Mecânica, Victor Orelhão nunca abandonou o surfe (Divulgação) Victor de Oliveira Kühne nasceu em Santos, na Casa de Saúde, em 2 de dezembro de 1957, e desde cedo sua história se entrelaçou com as ondas, a praia e as raízes culturais que fazem parte do nosso litoral. Filho de uma família de origem alemã e austríaca por parte do pai, Carlos Kühne Júnior, e de brasileiros de Sergipe pelo lado materno, Victor percorreu uma trajetória livre de fronteiras. Sua mãe, Myriam de Oliveira, já morava em São Vicente quando Carlos, vindo de São Paulo, trazia na bagagem a experiência vivida na oficina de fundição da família. O entendimento nos processos de moldagem e de criação foram valiosos para o seu projeto de construção de uma prancha oca de madeira. Carlos utilizava o equipamento para remar e quem sabe até pegar umas ondas na Baía de São Vicente, nos primeiros anos da década de 1950. Nesse cenário de intimidade com o mar, Victor cresceu. Seus pais praticavam caça submarina, e foi assim que, ainda criança, ele já mergulhava nas águas de São Vicente, junto com o irmão Maurício e o avô Carlos, pescando com linha de fundo e explorando o universo subaquático. A vida de Victor também teve uma passagem pela França, na região da Provença, onde morou com a família por cerca de um ano e meio. Myriam passava por uma especialização na área da literatura e Carlos, um aperfeiçoamento na área de petróleo. No exterior, Victor aprendeu a ler e escrever em um colégio público, e viveu experiências que ampliaram seu olhar para o mundo. Ao retornar a São Vicente, retomou os estudos no Grupo Escolar, e aos 10 anos, ao lado do irmão, já surfava com prancha de isopor Planonda na Praia do Itararé, um universo que logo se tornaria parte de sua essência. Seu primeiro presente de ginásio foi uma prancha, comprada do Flávio La Barre e fabricada pelo mestre Homero. Assim começou sua jornada no surfe, na companhia de nomes que marcaram época: Cocó, Longarina, Ike, Miroel Couto, Homero, Nelson Exel, Vicente Ferraro, Dudu e Carlinhos Argento, entre tantos outros. Surfista desde cedo, Victor viu o esporte evoluir, inspirado pelas revistas como Surfing e Surfer, e filmes como Alegrias de Verão, que mostrava o sonho de uma surftrip pelo mundo. Nesta época suas referências no esporte eram o arquiteto Eliseu Resende e os irmãos Chico e Zé Paioli. Sua adolescência também incluiu episódios inusitados, como a interdição das escolas por causa da meningite, em 1974, que o fez permanecer acampado por mais de um mês na Praia da Baleia, surfando todos os dias. A década de 1970 foi de descobertas e conquistas. Sua turma passou a incluir nomes como Antônio Sapo, Roberto Francês, Geraldinho, Aloísio, Nino Mattos, Armando Jaguaribe, Musgão, Pascoal, Cisco, Delton, Jaime Ventania, e novos picos de surfe, como a desafiadora Porta do Sol, além das praias do Guarujá e do Litoral Norte, em São Paulo, e Saquarema, Arpoador e Diabo, no Rio de Janeiro. Em 1976, aos 18 anos, realizou seu sonho ao viajar ao Havaí, ao lado do irmão, surfando por 20 dias nas praias de Waikiki e as do North Shore de Oahu, de longboard e na famosa prancha Aipa Stinger Swallow, uma verdadeira obra de arte. Essa viagem foi um marco, uma experiência que consolidou sua paixão e o colocou em contato com as sonhadas ondas do arquipélago, em águas cristalinas com fundo de corais, um universo que poucos têm a sorte de vivenciar. Nesse ano, Victor participou e conquistou o título na categoria Sênior no Campeonato da Aspam, com apoio e entrega do prêmio pela Capitania dos Portos. Formado em Engenharia Industrial Mecânica pela Unisanta, sua carreira profissional se consolidou na indústria de papel e celulose, mas o amor pelo mar nunca deixou de pulsar. Hoje, aos 67 anos, atua como professor na Fatec de Praia Grande, ensinando Processos Químicos, enquanto mantém o surfe como uma forma de lazer e conexão com as ondas que tanto ama. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal