Alexandre Wolthers, Dario Costa e Allyson (Divulgação) A trajetória de Allyson Kokemper Silva começa muito antes de seu nascimento, lá em 1909, quando seu avô, o alemão Bernardo Kokemper, chegou ao Brasil e foi trabalhar na tradicional cervejaria Bopp, em Porto Alegre. Anos depois, em 1924, a empresa se uniu às cervejarias Sassen e Ritter, formando a Cervejaria Continental, onde Bernardo atuou como mestre cervejeiro até 1946, quando a Continental foi vendida para a Brahma. Foi então que recebeu o convite para desenvolver a Serra Malte em Passo Fundo, cidade escolhida por ter a melhor água para a produção de cerveja. Em 1949, Bernardo casou-se com Agnes, com quem teve dois filhos: Lilian e Bernardo. Lilian, formada em Letras, casou-se com o administrador de empresas Edson Reis da Silva. Dessa união nasceram Allyson Kokemper Silva, em 2 de agosto de 1974, em Porto Alegre, e sua irmã Tatiana Kokemper Silva. Crescendo em Porto Alegre, Allyson estudou no Bom Conselho, no IPA e, mais tarde, na PUC-RS. Morava no bairro Moinhos de Vento, na Rua Gonçalo de Carvalho, e para ele, que vivia no Rio Grande do Sul, o surfe era sinônimo de férias, verão, sol e mar. Começou a pegar onda em Tramandaí, em 1987, aos 13 anos, com os amigos da idade deles, como Laison Pufal Hoer, Rodrigo Salva, Nikima, Christian Schuck Gomes. Para eles, os surfistas mais velhos eram suas maiores inspirações, como Fernando Ávila (Tio Potato), Rodrigo Freire (Rodrigão), Walter Buarque (Nego Walter), Roberto Wolf (Caverna), Glaucio Dreyer Castro, Igor Domingues (Igor Negão) e Iarte Hack (Jesus). Tramandaí, ou Tramanda, como era conhecida, foi o grande quintal e os edifícios definiam os picos de surfe: Mar Negro, Siri e Quebra-Mar, além do píer que dividia as ondas das Malvinas de um lado e do Backdoor do outro. A night de Tramandaí tinha a SAT (Sociedade Amigos de Tramandaí) e a Sorveteria do Centro. Em Porto Alegre, a galera se reunia no Parque Moinho de Vento, o Parcão e nas galerias Champs Élysées e Quinta Avenida Center, onde ficavam as surf shops. Foi lá, na loja Summer Dreams, que Allyson comprou sua primeira prancha: uma Speed Line do Jhonny Be Good, shaper gaúcho. Essa turma cresceu junto e, entre um chimarrão e outro, vieram as primeiras surftrips: Garopaba com Laison, Rodrigo e Igor Negão, e depois viagens internacionais para Uruguai, Costa Rica, Peru e Chile. As melhores ondas viriam na Indonésia. O curioso é que, profissionalmente, Allyson também buscou outros horizontes infinitos. Foi piloto da Varig, acumulando sete mil horas de voo - começou no Boeing 737 e depois voou no cargueiro DC-10. Mas quem passa tanto tempo olhando para o céu não esquece do mar. Prestou concurso público e tornou-se prático de navios, designado para atuar no Amazonas, onde permaneceu cinco anos, até prestar um segundo concurso para a Praticagem de São Paulo. Atuando no Porto de Santos, fixou residência na cidade e formou sua família. Desde 1933, a Praticagem de São Paulo atua para garantir segurança, agilidade e eficiência na navegação. Enquanto esperava pela prova que o traria para Santos, Allyson conheceu Alexandre Wolthers, o Xande, seu grande amigo, compadre e sócio. Allyson, que é um regular surfer (surfa de frente para a direita), continua atrás das ondas perfeitas, viajando e se dividindo entre navios, pranchas e restaurantes. Ele é sócio de Xande e do renomado chef Dario Costa - todos os três surfistas - em quatro restaurantes, de reconhecimento internacional: o Paru, localizado no Mercado de Peixes; o Madê Cozinha Autoral, ambos em Santos; o Deus Ex Machina São Paulo, em Pinheiros; e o Benedita Cozinha Afetiva, na paradisíaca Ilha de Fernando de Noronha. Allyson é pai de Vitor e Noah - este último fruto de seu casamento com Débora Selbach Oliveira. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal