Edison Gloeden, o Alemão; Olavo Dahda; e Marcos Caseiro são amigos de longa data (Arquivo pessoal) Filho de Linacir Gaessler Macuco, de origem germânica, cujos antepassados se estabeleceram nas colônias agrícolas do interior do Paraná, e do cearense Raimundo José Pimenta Araujo, natural de Guaramiranga, cidade serrana onde Belchior foi seminarista, Olavo Dahda cresceu em um ambiente familiar marcado pela cultura e pela política. Após se formar na Escola de Ofícios do Exército, em Blumenau (SC), Raimundo cursou Engenharia na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, onde conheceu Linacir, com quem se casou e teve quatro filhos. Seu primeiro emprego foi na Copebrás, o que levou a família a se estabelecer em Santos, na Rua Djalma Dutra, no Gonzaga. Foi ali que nasceu Olavo, em 5 de maio de 1962. Com a transferência do pai para Candeias, na Bahia, a família morou primeiro na Ladeira da Barra e depois na Pituba, sempre próxima ao mar. Nesse período, Olavo e o irmão Ti começaram a brincar de surfe, em pranchas improvisadas de madeira e isopor. O uso de camiseta para evitar assaduras rendeu a eles o apelido de Tabaréus, superado quando passaram a pintar as pranchas com as artes feitas pelo irmão. No início dos anos 1970, a família retornou a Santos e passou a viver numa casa da Rua Aureliano Coutinho, travessa do Canal 5. Nos fins de semana, Olavo frequentava a casa dos tios Helena e Dante Leonelli, em frente ao antigo Clube Caiçara, onde, aos 10 anos, ficou de pé numa prancha pela primeira vez, experiência decisiva em sua relação com o mar. Aluno do Colégio Leão XIII, no Embaré, foi lá que formou sua turma de surfe. A partir dessas relações, aproximou-se de figuras centrais do esporte, como Edison Gloeden, o Alemão da Seal, Paulo e Edu Lichtner, Jeni, Waldemar, Jacuí e os irmãos Twin, no Itararé. Eram frequentes também as idas à Praia de Pernambuco, geralmente de carona, onde se conectavam com a “paulistada”. Nessa época, ingressou no skate em Santos e montou uma pista improvisada em frente à sua casa. Na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos (Faus), se tornou dirigente estudantil, presidiu o Diretório Acadêmico por duas vezes e reencontrou Alemão da Seal, com quem construiu uma amizade de décadas. Nos anos 1980, a música virou profissão. Com a banda Secreta Tradução, venceu festivais em Santos, Cubatão e Iguape. Participou de espetáculos históricos no heavy metal e integrou a programação inaugural do Sesc Aparecida e do Torto Bar, em 24 de agosto de 1984. Foi no Torto que assinou seu primeiro contrato profissional e ajudou a formar bandas como Cidadania e Kooperatyva Afro-Dyzziaka, em um período de intensa efervescência cultural. Pai da cineasta Carolina e do estudante de Geografia Theo, Olavo teve a vida transformada pela paternidade. Surfe, skate, política, música, cinema e literatura forjaram sua trajetória, marcada pela criação coletiva e pela convicção de que a identidade se constrói nos encontros. Talvez por isso o nome de Edison Gloeden, o Alemão, sempre retorne: o encontro ainda menino, no Emissário, o reencontro na Faus, a formação do trio inseparável com os dois alemães (Edison e Marcos Caseiro), o carinho por Fátima, a Fatinha, e o último encontro, numa reunião política para ajudar a eleger Marcos Caseiro ao cargo de vereador. Agora, o silêncio. O mar, cenário de quase tudo desde o começo, levou o Alemão e o veleiro Sufoco III com ele. Neste Natal, Olavo erguerá o copo não exatamente em um brinde, mas como quem reconhece que há amizades que não acabam — apenas mudam de lugar. Como escreveu Veronica Shoffstall, “amigos são a família que a vida permite escolher”. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal