Kabeha, Ika, Homero, Aldinho no Canal 5, em Santos: união selada pelo amor ao surfe (Divulgação) Nascido em 11 de outubro de 1956, em Belo Horizonte, Carlos Henrique Borba Cangiano, o Ika Cangiano, cresceu em meio a uma família numerosa. Ika era o segundo entre os cinco filhos do casal Aldo e Inalba. O apelido nasceu por acaso: os irmãos pequenos não conseguiam pronunciar Carlos Henrique e o chamavam de Caíca. Com o tempo, a sonoridade encurtou para Ika, nome que ficou e virou marca registrada. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A mudança de Minas para Santos veio com o trabalho do pai, engenheiro civil convidado pela Cosipa para atuar em Cubatão. Foi na Baixada Santista que o garoto mineiro descobriu o mar. Morando no Gonzaga, na Rua Euclides da Cunha, Ika fez amizades que moldariam seu destino. Foi apresentado ao surfe ainda em 1965, quando os amigos surfavam as ondas com madeirites improvisadas. Entre eles estavam nomes que fariam história nas praias santistas – Fuzi, Ratinho, Pino, Macaco, Julinho Mazzei, entre tantos outros. Nos anos 1970, a família se mudou para o Canal 5 e o ponto de encontro passou a ser a fábrica de pranchas do Homero. Foi uma época dourada do surfe artesanal. As pranchas Homero, Dick Brewer e Con viraram objetos de desejo. Ika comprou uma Chuck Dent de um havaiano e nunca mais largou o mar. Nessa época, o irmão mais velho, Sérgio Cangiano, e o amigo Akira criaram a Surfboards Cangiano. Vieram os acampamentos na Praia do Pernambuco e Itaquitanduva. Era a liberdade total. Conheceu figuras lendárias como Paulinho Issa, Cocó Faggiano e os irmãos Barletta. O surfe virou tribo, linguagem e identidade. Em 1979, ajudou a fundar a Associação de Surf de Santos. Ika também se aventurou nas competições: foi vice-campeão júnior em Itanhaém e no Nelson Excel, além de destaque no Rock Point, no Guarujá, onde venceu a prova de remada até a Ilha dos Arvoredos. Mas o que realmente o movia era o freesurf – a liberdade das ondas sem cronômetro nem troféu. Formado em Economia, logo percebeu que sua alma era mais pra oceano do que pra escritório. Deixou o terno e se lançou ao mar dos negócios, criou ao lado do irmão Aldo Cangiano e do amigo Jacuí as lojas Durban, Galpão do Surf e SurfBrothers (esta apenas com Jacuí) - ícones da cena santista. Com as marcas Canguru e Transporter, os sócios produziram capas, mochilas e acessórios que equiparam gerações de surfistas e skatistas. As viagens também moldaram seu espírito: em 1982, surfou no Peru com lendas como Tucano e Paulo Issa. Em 1993, realizou o sonho de surfar no Havaí, dividindo ondas com mitos como Laird Hamilton e Ben Aipa. Em 2017, explorou a Costa Rica e as direitas perfeitas de Ollie's Point e Roca Bruja. Hoje, Ika mantém viva sua conexão com o surfe através da educação. Participou do Projeto Escola Total da SEDUC, desenvolvido pela Associação Santos de Surf (ASS), entre os anos 2009 e 2012, ensinando surfe a alunos da rede pública de Santos, e em 2013 fundou, com o professor Marcos Pasquantonio, um projeto que une surfe e educação ambiental, levando o conhecimento das marés e dos ventos para dentro das escolas: a Ikamarbrazil Surf School. Mais do que surfista, Ika, que acabou de completar 69 anos, se tornou um agente do mar. Como diretor jurídico do Instituto Mar Azul (IMA), segue usando o surfe como ponte entre o homem e a natureza. Costuma dizer que “o surfe é um divisor de águas – quem o experimenta, nunca mais vive longe dele”. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal