Antonio Augusto de Carvalho Pinto, o Toninho Cabeleira, nasceu em 07 de março de 1955, em Itapetininga, quando seu pai, o ex-delegado Nelson de Carvalho Pinto, tornou-se juiz de direito e passou a percorrer todo o Brasil. Nelson, que também era primo do ex-governador de São Paulo, Carlos Alberto Alves de Carvalho Pinto, formou uma família com sete filhos. Toninho, o caçula, 20 dias após o seu nascimento, mudou-se com a família para Santos, onde o pai comandaria a Comarca pelos próximos 14 anos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Desde cedo, Toninho conviveu com bronquite asmática e os médicos recomendavam esportes na água fria. Foi no Canal 1, onde a família morava, que começou a brincar de surfe na pranchinha de isopor Planonda. Aos 10 anos, já surfava de madeirite; aos 12, após mudar-se para o Canal 3, passou a ser conhecido como Cabeleira e a utilizar pranchas emprestadas até que o pai permitiu que mandasse fazer sua primeira prancha — uma caixa de fósforo fabricada pelo Nelson da Morsa, dono de uma carpintaria na rua Oswaldo Cruz. A mãe, dona América, esperava aflita sob a chuva, enquanto ele fingia não ouvir seus chamados para continuar no mar. Naquele período, o surfe em Santos começava a se organizar, e Toninho passou a competir. Ele alternava boas colocações com o Oracio Cocada, outro grande competidor. Sua turma reunia Ney Barrera Filho, Nilo Barrera Filho, Sérgio “o Careca do 3”, Hélio Coquinho e outros amigos que dividiam descobertas e viagens. Com o crescimento do surfe, o grupo passou a desbravar picos então quase intocados. Surfaram no Rio de Janeiro, incluindo Saquarema, e avançaram pelo Sul até Santa Catarina, chegando ao remoto Farol de Santa Marta. No Guarujá, enfrentaram praias ainda vazias, como a Praia do Pernambuco. Durante os anos 1970, algumas pranchas marcaram sua trajetória. A primeira grande referência foi um modelo feito pelo Lagartixa, no Morro da Divisa, descobridor do banho parafinado para polir as pranchas, incomum à época, ainda foscas. Em 1974, trouxe do Havaí duas pranchas — sendo uma delas, uma Gerry Lopez. Paralelamente, Toninho passou por diversos colégios: Grupo Escolar Brás Cubas (primário, no Canal 1), Santa Rita (Canal 2), Canadá, Ramos Lopes, Oswaldo Cruz, Anver (Cruzeiro do Sul) e Itá de São Vicente. Em 1975 Toninho Cabeleira ingressou no mundo do motocross e, cinco anos depois, na motovelocidade. Durante 11 anos competiu em diversas modalidades, passando pela Honda e Yamaha. O nascimento do filho Nelson foi decisivo para pôr fim ao risco da alta velocidade. No mar, a partir de 1980, com o aumento da prática do surfe e do crowd, Toninho aproximou-se da caça submarina. Em Paúba, onde mantinha um barraco alugado, iniciou-se no mergulho e rapidamente se destacou. Cinco anos depois, em 1986, tornou-se campeão paulista de caça submarina em apneia como estreante, representando o Baía Iate Clube. Seu mergulho mais profundo chegou a cerca de 100 pés, medidos no ecossonda, nos calhaus em frente à Laje de Santos. Entre os mergulhadores que conheceu, considera Mondelo o melhor. Hoje, aos 71 anos, Toninho Cabeleira, pai de Nelson de Carvalho Pinto Netto, falecido em 2020, continua surfando com os amigos — muitos companheiros de mais de 60 anos de mar. O compromisso e abnegação pela atividade esportiva tornou-se sua essência e sua história. Ele é um exemplo de esforço em busca da vida saudável por meio do esporte. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal