Carlinhos (com a camisa 51) passeia pela Praia de Pernambuco, em Guarujá, em 1976 (Divulgação) Carlos Ribeiro Junior nasceu em 14 de outubro de 1956, vindo de uma família com raízes no interior paulista e no litoral fluminense. Seu pai, Carlos Ribeiro, era de Tabatinga, na região de Araraquara; sua mãe, Emília Conceição, de Paraty. A família paterna se estabeleceu em Santos quando o avô Lino Ribeiro - santista de 1889 - deixou o interior e retornou à cidade em 1945. Ao adquirir um terreno no Marapé e erguer a casa onde passariam a viver, ele trouxe consigo o filho caçula, pai de Carlinhos, consolidando ali a base familiar que marcaria o início da história do futuro surfista. Em 1969, aos 13 anos, Carlinhos se mudou para o Campo Grande, onde ganhou o apelido Horácio, em alusão ao personagem da Turma da Mônica, e teve seu primeiro contato com o surfe - até então algo completamente novo para ele. Foi observando o Santana - um dos antigos surfistas do Canal 1 - caminhando pela rua com um longboard debaixo do braço que o desejo de entrar no mar cresceu, alimentado também pelos filmes exibidos na TV e no cinema, como Mar Raivoso, estrelado por Barbara Eden, que transmitiam uma sensação de liberdade ligada às ondas. Em 1970 comprou sua primeira prancha, encomendada com o Longarina, famoso shaper de São Vicente. A prancha de 1,80m marcou o início de sua trajetória no surfe. Sua primeira onda foi surfada ao lado da Pedra da Feiticeira, no verão daquele mesmo ano. Nos anos seguintes, aproximou-se dos jovens do bairro, especialmente da turma do Canal 5, que frequentavam a Praia do Pernambuco. Em 1972, esse grupo organizou o primeiro campeonato de surfe escolar da cidade, com participação de colégios como Canadá, Primo Ferreira, Ramos Lopes e Santista. Embora não fosse um competidor de destaque, Carlinhos Horácio era presença constante e reconhecida pela dedicação ao surfe. Sua prancha mais marcante veio em 1975, comprada de Homero e feita originalmente para Oracio Cocada. Carlinhos a descrevia como "mágica", pela facilidade em executar manobras. Foi com ela que começou a se sobressair nas ondas. Nessa época ele se juntou aos irmãos surfistas Marcelo e Márcio Fukuda, o Kabeha, nas diversas surftrips e competições que rolavam em Ubatuba. Em 1976, depois de anos conciliando trabalho e estudo, comprou do Elias o ponto da loja Mansurf, na Galeria 5ª Avenida, em Santos. A partir dali, fundou a Bali High, que se tornaria um marco na cidade. Reformou o local com as próprias mãos - da pintura à troca do piso - e apostou em uma política de preços acessíveis, que atraiu grande clientela. Para divulgar a loja, fez parcerias com a Rádio Cultura, criando uma presença forte no mercado por meio de permutas e anúncios, e priorizou as grandes marcas, como a The Philippines, Wagon, Surf Sol, Hang Loose e Town & Country. Na década de 1980, a Bali High consolidou-se como ponto de encontro dos surfistas santistas e referência para uma nova geração. Apesar do sucesso comercial, Carlinhos sempre manteve o foco na essência do surfe - um surfe espontâneo e romântico, distante da competitividade crescente que tomou conta dos campeonatos a partir dos anos 1980. Hoje, mais espiritualizado e adepto de um estilo minimalista, Carlinhos, pai de três filhas, revisita a própria trajetória com gratidão e a convicção de ter vivido uma das fases mais autênticas do surfe. Para ele, o futuro do esporte depende de um retorno à essência: aproveitar a onda e a amizade, sem pressa e sem pressão. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal