Caetano (segundo em pé da esq. para a dir.) e amigos na Praia do Tombo nos anos 1970 (Divulgação) Filho de mãe portuguesa e pai italiano, Caetano Valentim nasceu em Santos, em 7 de dezembro de 1957, e cresceu marcado pela força da ascendência italiana — algo que ele mesmo reconhece como a identidade dominante dentro de casa. Aos 68 anos, ele carrega seis décadas de ligação ininterrupta com o mar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Sua história com o surfe começa cedo, aos 8 anos, quando morava no prédio Caravelle, um dos primeiros edifícios erguidos na orla, pé na areia, em frente ao antigo Caiçara Clube. Foi ali, após assistir no Cine Itajubá ao filme Mar Raivoso, que tudo mudou. Impressionados pela força das ondas do cinema, Caetano e os amigos decidiram construir suas próprias pranchas. Como os prédios da orla ainda estavam em construção, sobrava material. Saíram em busca das tábuas de madeirite das cercas das obras e, com ferramentas improvisadas, confeccionaram as primeiras pranchas: surfe raiz, como ele mesmo define. As primeiras ondas vieram no trecho entre a Urubuqueçaba e a Feiticeira, onde Caetano descobriu a sensação que o acompanharia por toda a vida. O parceiro mais constante dessa fase foi Ricardo Blanco, morador do mesmo prédio. Mas a cena santista já formava uma constelação de personagens que influenciaram sua geração: a turma do Murinho (originalmente Zona do Agrião) — Gui, Mesquita, Augustinho e Mixirica —, além de figuras icônicas como o Musgão e o irmão, Pastinha, e ainda Edinho da Orca, entre outros, referências que os mais jovens observavam com admiração. Aos 15 anos, Caetano ingressou no caratê e percorreu um longo caminho de treinos e competições pelo Clube Internacional de Regatas até chegar à faixa preta. Já mais velho, Caetano ingressou no curso de Arquitetura e Urbanismo pela Faus, em 1983. Antes disso, passou pelo cursinho Decisão, no Canal 2, “onde só tinha surfista”, como recorda. Em seguida, foi morar perto do Canal 3, aproximando-se de um novo grupo que marcaria sua formação no surfe: Lafraia, Marcelo Mastroianni, Wagner Cola e os irmãos Ney e Nilo — todos nomes fortes da cena santista da época. A primeira prancha de fibra só veio mais tarde, quando o dinheiro permitiu. Foi uma peça shapeada por Gary Linden, que trabalhava com apoio de Homero Naldinho. Antes dela, teve apenas pranchas sem marca ou emprestadas. Em 1978, realizou sua primeira viagem ao Havaí, e de lá trouxe uma prancha Aipa que se tornaria simbólica. Caetano abriu outra frente no esporte: tornou-se árbitro/juiz de surfe. O primeiro campeonato que julgou foi o Tombo Boys, em 1976, ao lado de Boreu, Wagner Vovô, Paulo Negão e Patrícia Baungarten. Participou da criação da Associação Paulista de Juízes de Surf, ao lado de Gadelha, Mauro Rabelé, Alemão Sunless, Boreu e Zé Cláudio. Julgou campeonatos da Abrasp, provas de surfe e bodyboard, acumulando experiência. Foi também fundador da Associação Santista de Longboard (ASL), onde atuou como vice-presidente em duas gestões. Hoje, Caetano, que é casado com a também surfista Cidoca, afirma que o surfe permanece como sempre esteve “no coração e na alma”. Amanhã é o Dia do Surfista, em Santos. Ele nasceu como resultado das pesquisas, artigos, exposições e formação do acervo público do surfe. Uma conquista de toda a comunidade, homologada pela Lei Municipal 2.172/2003 de autoria do ex-vereador Professor Fabião. Diniz Iozzi, Gabriel Pierin e A Tribuna desejam Boas Ondas! Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal