Finalistas do Campeonato Paulista, em 1968: Buana é o 3º da esquerda para a direita (Reprodução) O imigrante português Fernando Barbosa percorria as altas propriedades rurais do interior do estado do Rio de Janeiro para vender seus ternos sob medida aos produtores de café. Em 1922, o mascate se mudou para Santos, onde abriu sua primeira loja, a Casas Guanabara, situada na Rua General Câmara. Ele conheceu Deolinda Vieira da Silveira, professora no quartel da antiga BOC da Praia Grande, e com ela se casou. Em 1924, nascia o primeiro filho do casal, Fernando Silveira Barbosa. Nessa mesma época, o tabelião de Cartório de Notas Michel Alca, filho de imigrantes libaneses, se casava com Ida Reismann, filha de um egípcio com uma austríaca. Em 1925, nascia Lilian Alca. Foi na porta do Colégio São José o primeiro encontro entre Lilian Alca e Fernando Silveira Barbosa. Ela tinha apenas 13 anos e ele, 14. O namoro que começou adolescente terminaria em casamento no ano de 1946. Bacharel em Economia, Fernando prosperou ao lado do pai e irmãos com as lojas Casas Guanabara, Modas Junior e Casa Conde. A morte do patriarca pôs fim aos negócios e ele seguiu carreira pública no Cartório Notarial. Fernando e Lilian tiveram três filhos. Em 12 de abril de 1952, o caçula Fernando Carlos Alca Barbosa nascia na Beneficência Portuguesa. O menino logo ficou íntimo do mar, pelos passeio de lancha em família ou nas travessias em baleeira da equipe de natação do Inter até as praias do Góes, Cheira-Limão e Sangava. Durante o período em que viveu na Rua Adolpho Assis, na Vila Belmiro, entre os 8 e 13 anos de idade, Fernando fez vários amigos, entre eles Ricardo Santos Paulo, o Onça, e os irmãos Sérgio e José Cláudio Gadelha. Em 1966, de volta à Avenida Barão de Penedo, Fernando comprou uma prancha de madeirite dos irmãos Peter e Pavle, com uma pintura da bandeira da Suécia. Pouco tempo depois, Fernando compraria o longobard de 10 pés do José Luiz Sant’anna, mas era numa Huntington Surfboards emprestada de uma amiga que a galera fazia fila para surfar. Nessa época, surgiu o apelido Buana, inspirado no seriado Jim das Selvas, onde o protagonista era chamado de Bwana Jim por um dos outros personagens. No Marapé existiam duas turmas conhecidas: a dos jogadores de futebol de praia e a dos surfistas, sendo que essa atuava nos dois esportes, entre eles Melo, Paulo Gordo, Dirceu, Sant’anna, Jerônimo, Nando Português, Xisto, Xaxufa, Pelé, Ratinho, Juca e Pestana. Durante o dia, quando não tinha onda, eles ficavam no Elevado. À noite, na ponte do Canal 1 com a Barão de Penedo ou na escadaria do Edifício Acrópole. No final da década de 1960 e início dos anos 1970, Fernando Buana fez várias surftrips pelo Brasil, na companhia do Melo, Nando Português, Paulo Gordo e Sant’anna. Os amigos surfavam nas praias do Guarujá, do Litoral Norte e fora do Estado, no Rio de Janeiro. Em 1968, Buana se sagrou vice-campeão júnior do 2o Campeonato Paulista, disputado na Praia de Pitangueiras e patrocinado pelo Clube da Orla. Na noite de encerramento, além do show da Martinha, teve a entrega do troféu e de uma prancha Glaspac também aos segundos colocados, nas categorias Júnior e Sênior, mas como as pranchas não tinham sido encomendadas, o prêmio foi dado em dinheiro. Buana brinca até hoje, entre amigos, que ele pode ser considerado o primeiro surfista profissional ao receber dinheiro do patrocinador. Atrasado nos estudos, Buana se mudou para estudar e trabalhar em Taubaté. Em 1973, já funcionário da Ford, concluiu o Ensino Médio e ingressou no curso de Arquitetura e Urbanismo da Unitau. Sua atividade profissional se expandiu para Salvador, onde se casou com Andréa e ganhou seu primeiro filho, Rodrigo. Na capital baiana, surfou os picos da Praia do Cristo, do Sanatório Espanhol e da Terceira Ponte. Com o término das obras em Salvador, mudou-se para Ilhéus e depois Aracaju, onde nasceu sua filha Gabriela. Buana também viveu a experiência de surfar picos internacionais. Ele viajou ao Havaí, em 2012, e Peru, em 2023, numa surftrip com os amigos. Aposentado desde 2019 e de volta a Santos em 2022, Buana, aos 73 anos de idade, e com 59 de surfe, ainda pega onda no Quebra-Mar e no Canal 1. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal