Baila, Cassio Sanchez!

Cassio dançando a obra Água & Sal, de Luciana Raccini, na Praça Rui Barbosa

Por: Jair Bortoleto  -  27/09/22  -  06:01
Cassio dançando a obra Água & Sal, de Luciana Raccini, na Praça Rui Barbosa
Cassio dançando a obra Água & Sal, de Luciana Raccini, na Praça Rui Barbosa   Foto: Arquivo pessoal

Nascido em 1983, Cassio Sanchez Miranda começou a surfar por meio de seu pai, o saudoso Jeff Begood. Sua primeira memória é de quando tinha 6 anos e foi com seu pai até a antiga fábrica da New Advance, no Morro José Menino, comprar um longboard usado do Giba. Cassio lembra que eles saíram da fábrica direto para o Quebra-Mar e, mesmo sem parafina, Jeff colocou o pequeno no bico do pranchão e pegou onda.


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Esse começo evoluiu em uma paixão. Aos 12 anos Cassio já competia e aos 18 se profissionalizou. Por dois anos, correu o circuito brasileiro até perceber que não gostava das competições. Cassio achava que tinha que ser campeão para ser surfista profissional, o que o levou a parar de competir. “Nunca entendi o surfe como um esporte competitivo, mas sim como uma arte”, diz Cassio.


Influenciado por alguns amigos, entre eles Fabio Burns, começou a ver filmes gringos com surfistas profissionais que ganhavam a vida surfando ondas perfeitas, sem a necessidade de participar de campeonatos. Tornou-se então freesurfer profissional e entrou para o time da marca MCD. Viajou o mundo surfando, sempre com uma câmera a tiracolo, fotografando analogicamente o universo paralelo do surfe.


Em 2010 participou do projeto SURFAFRIKA do artista sul-africano Thomas Mulcaire, onde surfou toda a costa da África do Sul durante a Copa do Mundo de Futebol. Essa amizade com Thomas influenciaria sua vida como artista.


Em 2013, aos 30 anos, decidiu se aposentar do surfe profissional e saiu da MCD. Logo depois recebeu um convite de Thomas para ser seu assistente em Cape Town. Thomas é um artista multimídia e isso influenciou a maneira como Cassio via a sua arte e principalmente seu papel como artista no mundo. Ao tentar explicar que tipo de arte fazia, costumava dizer que “pintava o dia”, como se o dia fosse uma tela em branco e seu trabalho era criar, respirar e viver a arte.


Voltou da África como um artista estabelecido e nesse retorno produziu arte por meses em Santos, até que em 2016 teve sua primeira exposição individual na Cinza General Store aqui na cidade. Durante essa exposição conheceu a diretora de dança contemporânea Luciana Raccini, e dessa conversa surgiu o interesse pelas artes cênicas e dança. Nesse mergulho profundo, Cassio ralou muito até começar a dar aulas de dança contemporânea com fundamentos básicos da consciência corporal.


Em 2020, em conjunto com a Luciana, em uma guinada para o centro da cidade como terreno produtivo, começou a produzir conteúdo audiovisual, até que em 15 de setembro passado, foi inaugurado oficialmente o Centro Santista de Arte Contemporânea. “Estar no Centro de Santos é incrível, pois acreditamos que não existe praia e periferia sem o Centro para interligar essas duas importâncias na sociedade”, finaliza Cassio.


Para conhecer mais sobre o Cassio, procure no Instagram @ciaplauso_contemporaneo e para essa e mais histórias no @museudosurfesantos.


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