(Freepik) Dentre tantas revoluções que o setor portuário tem passado, uma que merece destaque é a digitalização. Além de evitar papeladas, o uso de sistemas digitais nos portos aumenta a eficiência dos recursos disponíveis e do funcionamento das cadeias logísticas. Para um mundo com cadeias produtivas interconectadas globalmente, tal eficiência se traduz em reduções de custos, mitigação de gargalos, aumento da previsibilidade na operação e redução dos tempos de entrega. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A digitalização portuária não é novidade. Portos de ponta “navegam” nessa direção há algum tempo. Desde 2019, o Porto de Singapura utiliza tecnologia blockchain na documentação de contêineres, por exemplo, permitindo um processamento mais rápido e com menor chance de fraudes. Como os custos processuais podem responder por quase 20% do valor de movimentação, a iniciativa tornou o porto ainda mais competitivo. Outro exemplo que não se pode deixar de citar é o Porto de Roterdã. Considerado um dos portos mais “inteligentes” digitalmente, a autoridade portuária investe constantemente em Internet das Coisas e inteligência artificial. Atualmente, é possível rastrear um contêiner desde quando é carregado no embarcador, saber sua localização exata no trem até o porto e em qual pilha se encontra para ser embarcado. Além disso, toda a operação é monitorada por inteligência artificial atenta a qualquer anomalia, além de também planejar atividades rotineiras do porto levando em consideração a expectativa de carregamentos. No Brasil, a digitalização portuária não está tão avançada, mas há esforços consideráveis para reduzir a papelada. Dentre a principal está o programa Porto Sem Papel (PSP), capitaneada pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). O programa visa a reduzir o volume de documentos e integrar agentes de navegação e órgãos públicos ao concentrar, em uma plataforma, os dados essenciais a respeito das embarcações que atracam nos portos. As eficiências geradas pelo PSP são significantes. De acordo com o MPor, o uso do programa pelos portos brasileiros já permitiu economia de R\$ 1,3 bilhão, entre 2021 e 2023, pela redução no tempo de anuência das operações, bem como R\$ 6,3 bilhões, entre 2018 e 2023, adicionais ao faturamento do setor por causa do aumento da disponibilidade operacional, decorrente da maior agilidade processual. Para 2024, o MPor espera R\$ 411 milhões de ganhos com redução dos tempos de anuência, R\$ 727 milhões em razão da redução do custo de atracação para importações e exportações e R\$ 1,04 bilhão adicionais em faturamento decorrentes do uso do PSP. Tal como no caso de Singapura, as economias provocadas pela digitalização vão se refletir em menores custos para a logística portuária brasileira que, por consequência, torna os produtos brasileiros mais competitivos no exterior. A tendência para o futuro é uma operação portuária totalmente autônoma. Com o avanço da digitalização, espera-se maior agilidade na liberação e movimentação das cargas, assim como maior integração entre as autoridades de países distintos e menor incidência de erros de planejamento e tratamento das cargas. A expectativa é que os portos se tornem verdadeiros portos inteligentes, conectados em plataformas interoperáveis, capazes de antecipar eventos, evitar congestionamentos e reduzir drasticamente o impacto ambiental, alinhando-se aos compromissos de descar-bonização e economia verde. Ainda que os avanços no Brasil tenham sido importantes, é necessário cada vez mais expandir a abrangência do PSP, assim como adotar outras tecnologias disponíveis que permitam a integração com a logística de outros modos de transporte. Caminhar para soluções digitais e unificadas internacionalmente será essencial para tornar a cadeia logística cada vez mais eficiente, ambientalmente amigável e previsível.