(Gabriela Morais/Imagem gerada por IA) Esse medo da inteligência artificial é mais comum do que parece, e, sinceramente, até faz sentido. A inteligência artificial ainda soa como algo misterioso, meio de filme de ficção científica. Mas, na prática, ela já está entre nós de diferentes formas, sem conseguirmos perceber. A resposta está na natureza humana: temos receio daquilo que não conhecemos. É quase instintivo e a IA parece desafiadora porque é nova, complexa e muda rápido. Ela dá aquela impressão de que estamos perdendo o controle ou de que algo muito grande está prestes a acontecer e não sabemos bem como lidar com isso. Lembra da escrita? Pois é.... Lá na Grécia Antiga, o filósofo Sócrates achava que escrever iria enfraquecer a memória das pessoas. Platão, seu aluno, registrou essa preocupação em seus textos. Durante a Revolução Industrial, o barulho das máquinas substituindo artesãos e trabalhadores manuais também trouxe pânico. Era o fim de um jeito de viver e o início de fábricas, cidades inchadas, rotinas completamente novas. Ao mesmo tempo em que o novo nos causa estranhamento, ele também desperta nossa curiosidade. É esse equilíbrio entre desconforto e vontade de entender que move a humanidade adiante. A novidade incomoda, mas também instiga e é justamente essa tensão que nos faz querer aprender, investigar e, aos poucos, incorporar o desconhecido na nossa rotina. A inteligência artificial é só mais um capítulo dessa história. Um capítulo poderoso e talvez o mais desafiador até agora. Em diferentes evidências já publicadas, comparam que a IA será para o século 21 o que a eletricidade foi para o 19: vai mudar tudo. E não apenas mudar, mas acelerar mudanças que já estão em curso. O mercado está atento e um estudo recente da PwC apontou que a IA pode adicionar até US\$ 15 trilhões à economia global até 2030. É dinheiro suficiente para transformar setores inteiros, da agricultura ao entretenimento. Hoje, mais do que em qualquer outro momento da história, temos ferramentas ao nosso alcance para aprender e nos adaptar. A informação está aí, espalhada em vídeos, artigos, podcasts e plataformas inteiras dedicadas ao conhecimento. Tudo começa pela curiosidade e é ela que nos tira da paralisia, que nos leva a perguntar, explorar e investigar. E é também ela que nos ajuda a transformar o medo em entendimento. Só que tem um obstáculo no meio do caminho: estamos cada vez mais distraídos. Viciados em feeds infinitos, reels, vídeos curtos e notificações, acabamos perdendo a capacidade de atenção, foco e, principalmente, de questionamento. Então, ao invés de usarmos a tecnologia para aprender, muitas vezes nos deixamos consumir por ela e isso atrapalha o processo. Por isso, é hora de inverter essa lógica. Quando deixamos de ser controlados pelo algoritmo e começamos a entender como ele funciona, além de escolher conscientemente o que consumimos, damos um passo importante. Recuperamos a autonomia sobre nossa atenção e, a partir daí, conseguimos transformar o uso da tecnologia em algo produtivo, com ritmo, com direção. É assim que o aprendizado deixa de ser passivo e passa a ser intencional. É assim que começamos, de fato, a evoluir junto com a inteligência artificial. Você prefere seguir o algoritmo ou entender como ele funciona? A escolha está, literalmente, nas suas mãos. *Gabriela Morais é professora e especialista em IA e tecnologia.