(Gerada por IA) O grande pai sem pompa que nos apontou o horizonte possível, não o papa distante na estrutura fechada em dogmas. O também irmão a nos lembrar que o apocalipse é um dragão a domar com radical solidariedade. Francisco foi raiz ao nos trazer a luz da transcendência ao mais perto das coisas da Terra, o Espírito Santo das coisas encarnadas ecoando o milagre cósmico. Francisco que veio de longe, padre das periferias do planeta em tempos extremos pedindo comunhão sem nenhum companheiro deixado à margem da redenção para todos e para sempre. Um sacerdote de mensagens extremas para tempos extremos nos quais as chances nos pedem supremos sacrifícios. Papa Francisco foi o segundo Francisco a ensinar, sobre o trono de Pedro, que só teremos a pele do cordeiro audaz a apascentar a estupidez materialista da ira do lobo. Francisco, maior que o papa, que trouxe ao seio de Cristo, maior que a Igreja, os apartados da tradição para uma era em que só a convergência de todos pode salvar a casa única nos dada como paraíso de comunhão sem excluídos. Primeira visita à ilha dos imigrantes órfãos de uma economia bárbara, segunda ao maior cárcere de Roma, símbolo de uma sociedade consumida pelo consumo indiferente. Francisco que se esgotou no dia da ressurreição, levando, até a ultima gota, ‘urbi et orbi’, a mensagem aos filhos descansando na morada celeste, lembrando que a vida é símbolo da manjedoura ao jardim de oliveiras. Francisco, que viu a Deus nos olhos dos ateus e agnósticos, que derrubou muros trazendo ao seio de uma só carne mulheres numa cúria misógina, gays pelo amor além do desejo da epiderme, pobres apartados de qualquer ceia diante do indecente capitalismo de poucos empanturrados. Fez-nos conversos. Francisco globalizado por um globalismo vindo de Assis: ecumênico, inclusivo além da globalização algorítmica de Wall Street. Essencialmente um padre poeta quando evoca Walt Whitman: “Vejo algo de Deus em cada uma das vinte e quatro horas/cada instante de cada uma delas,/nos rostos de cada homem e mulher eu vejo a Deus/acho cartas de Deus caídas pela rua e todas assinadas com o nome de Deus, e eu as deixo onde estão, sei muito bem que aonde quer que eu vá outras cartas de Deus hão de chegar-me pontualmente”. Na Páscoa, seu derradeiro gesto foi afagar um ‘bambino’ na multidão. Tudo é significado! Aos que chegam, está entregue o bastão. A vida, corrida de revezamento, nos pede propósitos que se concretizem para o benefício dos que chegam. Durante a pandemia, ficará em nossas retinas Francisco atravessando a deserta ‘piazza’ numa visão iluminante de nossas solitude e cumplicidade: estamos juntos, ainda que estupidamente separados. Francisco fez-se adjetivo: jeito de ser visceralmente humanos. Quando perguntado do poder de um papa, Stalin, irônico, retrucou: “Quantas divisões tem um papa?”. Espero que agora os batalhões de Francisco imponham o sentido da grande batalha: um planeta verde amadurecido pela paz igualitária nesta Terra, apesar de tudo, sagrada!