(Pixabay) A juventude sempre desperta fascínio e perplexidade. Quem disse que é a fase mais feliz de nossas vidas? Ecoansiedade pelos extremos do clima, advento da inteligência artificial (IA) e ameaça da descartabilidade do humano diante da IA são alguns fatores que fazem invejar os que tiveram, como nós, um longo tempo de vida analógica. Para quem viveu décadas sem internet, sem celular, sem a violência de facções e milícias, sobram momentos de saudade do orelhão com ficha na esquina e do cartão de Natal. O capitalismo não dá muita margem para salvarmos o planeta, mas, diante do execrável individualismo, quem disse que na geração Z não temos um enorme contingente de jovens sensíveis? É neles e para eles que escrevo confiante em sua luta! Jovens que lidam com naturalidade com a homo e a biafetividade, despojados de excessiva preocupação material, com empatia e mais engajados numa sociedade justa e sustentável! Jovens que põem de lado roupa de marca, não têm carro e cultivam uma conexão espiritual não religiosa que me fazem crer num novo maio de 68 depois da onda fascista. Estarei sendo muito poeta? Olhando em seus olhos, jovens sensíveis, amantes da música e leitores de poesia, recomendo um livro que está fazendo 100 anos e conta da dureza de encontrar caminhos próprios: O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald. Logo na abertura, uma sentença que norteia contra qualquer preconceito: “Sempre que você tiver vontade de criticar alguém, lembre-se de que nem todas pessoas no mundo tiveram as vantagens de que você desfrutou”. Consciência crítica, meu jovem, é tudo! Olhe para as ruas, perceba o quanto de exclusão o rodeia e — o essencial! — consuma livros, filmes, colecione amigos para refletir e tentar ainda salvar a Mãe Terra de oligarcas indiferentes ao planeta. Livros como O Lobo da Estepe, de Herman Hesse, e Os Frutos da Terra, de Gide, ajudaram a salvar este velho escriba que vos apela amor à Arte e à Ciência! Assista a O Milagre de Milão, de Vittorio de Sica, e ao Sétimo Selo, de Bergman, uma vez na vida. Todos os sentidos social e existencial estão neles contidos. Conheça Água Viva, de Clarice Lispector, para desabrochar de vez sua subjetividade mais profunda esgrimindo as armas da delicadeza num mundo bruto. Quanto maior a sensibilidade, maior o sofrimento, mas dobre a aposta, pague o preço e se construirá um ser inteiro sem se dobrar às convenções impostas pela caretice, pelo lucro, pelo jogo de interesses. Acima de tudo, mesmo que não escreva versos, seja sempre um profundo poeta se formando médico, advogado, engenheiro: interesse pelo mundo e pela psicologia do outro representam tudo para ser mais que profissional, saber-se humano. A malhação nos faz lembrar o culto ao corpo entre os gregos, mas não esqueça que Alexandre, entre uma batalha e outra, lia Homero. Cultura é malhação do cérebro. Exercite suas sinapses iluminadas. Se ainda tiver tempo, leia sempre um poema de Rimbaud e canções de Bob Dylan: Blowin’ in the Wind e Hurricane. Não repita os erros dos que lhe legaram este estado de coisas: acumular e vencer a qualquer custo não nos levaram a um bom caminho. Lute. A esperança já envelheceu nossos ideais.