Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade - ou simplesmente VUCA - é o já famoso acrônimo para resumir o que vivenciamos na era atual. Cabe refletir sobre os portos nesse novo cenário – o Porto VUCA. O mundo pós-Guerra Fria foi chamado de nova ordem global, em um novo contexto de relações internacionais globalizadas. As últimas três décadas mostraram que as mudanças vão bem além da superação da bipolaridade geopolítica: comércio internacional, tecnologias, questões climáticas, interdependências etc. São poucos os setores que sentem de forma tão imediata os impactos dessas transformações quanto os portos. Vamos caminhar pelas características que explicam melhor o contexto volátil, incerto, complexo e ambíguo no qual os portos estão inseridos hoje. Um ambiente caracterizado pela volatilidade é marcado por mudanças rápidas e intensas, mas mensuráveis. Pensemos no comércio internacional do tarifaço americano. A imposição súbita de tarifas de importação nos EUA reorganiza cadeias de suprimentos e reconfigura rotas comerciais no curto prazo. Seguindo com o caso do comércio, a volatilidade no mercado global reverbera na cadeia produtiva brasileira como também o próprio peso do Brasil nos mercados agrícolas globais, sobretudo com a produção de milho e soja, gera volatilidade em outros países. As consequências da volatilidade para os portos? Ficam mais vulneráveis às flutuações de mercado mundial, precisam acompanhar os sinais globais de oferta, demanda e especulação. O Porto VUCA é aquele que percebe os sinais da volatilidade e ajusta sua governança para incluir análise de cenários, diversificação e fortalecimento de resiliência sistêmica. Avancemos para a incerteza – o U de uncertainty. Aqui desconhecemos a relação exata entre causa e consequência, faltam dados confiáveis e formas de mensuração. Logo, precisamos pensar e agir de forma estratégica. As iniciativas de descarbonização associadas à transição energética são bons exemplos da incerteza. Não sabemos quais combustíveis predominarão (hidrogênio, amônia verde, metanol ou biogás). Temos um desafio posto para os portos em termos de preparação de suas infraestruturas – o readiness portuário. Os marcos regulatórios, nacionais e internacionais, estão sendo construídos e colocam às equipes regulatórias dos portos um grande desafio. Não há respostas prontas e trajetórias únicas. O que se observa é que os portos que participam de ambientes de trocas e de aprendizado fortalecem o capital humano e as parcerias institucionais para aprenderem juntos a lidar com o mundo VUCA. O Porto VUCA é um porto que tenta aprender e encontra outros portos para a construção de uma parceria estratégica. Os portos já são complexos e ambíguos por natureza. As várias dualidades - ligação porto-mar, porto-cidade, elo logístico-motor de desenvolvimento, competitividade-cooperação – já inerentes aos portos já os preparam para a complexidade e ambiguidade do VUCA. Aspectos contemporâneos que podemos trazer aqui são as novas tecnologias e a agenda de sustentabilidade. Tecnologias como a digitalização, a automação e a inteligência artificial já são realidades sociais às quais os portos precisam se adequar. Trata-se de oportunidades de ganho de eficiência e um requisito à manutenção ou aumento da competitividade dos portos – o porto inteligente. Cabe chamar atenção para o aspecto da ambiguidade: os portos precisam encontrar soluções para a devida preparação e melhor uso da mão de obra. Esse é o gancho para nossa última reflexão: a agenda de sustentabilidade. Ela é uma resposta à complexidade e à ambiguidade portuária. O Porto VUCA é aquele que equilibra eficiência e inclusão, crescimento e preservação. Como? Repensando a governança do porto a partir dos temas ESG.