(Fernanda Lopes) Essa semana, depois de um dia de trabalho daqueles que deixam até o café com olheiras, cheguei em casa meio estranha. Tomei um banho quente, preparei um chá, tudo para tentar driblar a insônia que, como já confessei aqui antes, anda morando comigo sem pagar aluguel. Mas eu estava cansada, precisando mesmo fechar os olhos e me entregar à cama macia, de lençóis cheirosos e recém-trocados — uma das pequenas grandes felicidades da vida, tão boas quanto encontrar dinheiro esquecido no bolso (cada vez mais raro em tempos de Pix) ou acertar em cheio no pedido do restaurante sem trocar nada no prato. Me ajeitei no lençol macio e… surpresa! Uma dor nas costas começou tímida e foi crescendo até tirar meu fôlego. Meu trapézio resolveu travar como se estivesse interpretando um papel dramático em novela, e a sensação era de que meu peito estava sendo esmagado numa máquina de tortura medieval. Levantar da cama virou missão de guerra. Tentei sofrer em silêncio para não acordar meu marido, que dormia profundamente, provavelmente sonhando que estava casado com alguém menos desengonçada. Procurei um analgésico, espirrei meio frasco de spray para dor muscular (agora minha casa inteira cheira a farmácia) e esquentei uma bolsa de gel. Deitar? Fora de questão. Cada vez que eu esticava o corpo, meus músculos protestavam como torcida organizada em dia de derrota do time. Duas horas depois, nada de melhora. Lá fui eu em busca de algo mais forte. Não sou fã de remédios e até me acho resistente, afinal, já fui trabalhar com apendicite achando que era uma cólica. Mas, dessa vez, a dor me venceu. Colei um, ou melhor, vários daqueles adesivos para dor muscular e fiquei parecendo uma múmia canforada. Honestamente, o cheiro daquilo poderia ser usado como repelente de vizinhos. Melhorou um pouco… o suficiente para eu dormir sentada e acordar, pasmem, quatro horas depois. Um alívio ver que o relógio andou comigo apagada e não tentando ficar imóvel para as costas desistirem de se fazer notar. Hoje, a dor continua. Segundo um amigo, isso tem nome: idade. Pois é. E eu, que estava toda dedicada a exercícios e dieta para não sobrecarregar o corpo, fiquei pensando se não foi justamente a atividade física a culpada. Mas no fundo, acredito que a verdadeira vilã seja a combinação fatal de noites mal dormidas com o estresse que já vem incluso no kit ‘vida adulta’. Moral da história: as costas podem até doer, mas o humor não pode travar. Porque se é para enfrentar a idade, que seja rindo, mesmo que sentada, brincando de estátua, e com cheiro de cânfora.