Você também teve aquela sensação de susto quando percebeu que já é setembro? Mal piscamos e, de repente, as prateleiras do mercado já estão cheias de panetones e enfeites natalinos. Parece que ontem mesmo estávamos reclamando do calor de janeiro ou planejando o Carnaval. Essa sensação de que o tempo voa pode assustar, mas, na verdade, traz uma boa notícia: provavelmente você está feliz. Explico. Quando estamos nos divertindo ou envolvidos em algo prazeroso, o tempo raramente é prioridade. A atenção fica toda voltada para a experiência — a conversa animada com os amigos, o filme que prende até o último minuto, a viagem que parece ter durado um suspiro. Já quando a rotina pesa, cada minuto se arrasta como se fosse uma eternidade. Quem nunca olhou o relógio durante uma reunião interminável e jurou que os ponteiros estavam parados? A ciência também comprova essa distorção da nossa percepção. Um grupo de pesquisadores britânicos resolveu usar um programa de TV, The Traitors, como laboratório curioso. A dinâmica era simples: os competidores tinham cinco minutos para coletar ouro, colocar em gaiolas e içar antes do tempo acabar. Mas havia um detalhe importante: eles não recebiam nenhuma informação sobre quanto tempo faltava. O resultado? A maioria se atrapalhava, parava cedo demais, nervosa, e deixava de conquistar o prêmio. O experimento mostrou que, sob estresse, somos péssimos em calcular a passagem do tempo. No cotidiano, essa sensação aparece de formas bem conhecidas. Experimente ficar em posição de prancha, sustentando o corpo sobre os braços: um minuto parece durar cinco. Espere o caramelo do pudim dar o ponto, olhando fixamente para a panela: cada segundo vira uma eternidade. Agora, basta se distrair, e o doce queima numa velocidade quase mágica. Relativo? Totalmente. Filósofos e escritores já refletiram muito sobre isso. Santo Agostinho dizia que o tempo é algo misterioso: sabemos o que é quando não pensamos nele, mas quando tentamos explicar, ele escapa. Einstein reforçou a ideia com a teoria da relatividade: não existe um tempo absoluto, tudo depende do ponto de referência. E nós, simples mortais, comprovamos essa relatividade diariamente — entre esperas que parecem infinitas e encontros que acabam rápido demais. Então, se você achou que 2025 está voando, talvez seja sinal de que sua vida está cheia de acontecimentos, compromissos, histórias para contar. O tempo passa mais rápido quando há movimento, quando há intensidade. Melhor assim do que ver os dias se arrastando na monotonia. Afinal, como escreveu Mário Quintana, “a única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará”. Cabe a cada um de nós transformá-lo em memórias, em capítulos bons de serem revisitados, mesmo que logo já te ofereçam a primeira fatia de panetone.