Foto ilustrativa (Alexsander Ferraz/ AT) É difícil entender essas modas que, com as redes sociais, se espalham como rastilho de pólvora. Algumas somem no tempo de um story, outras duram mais, seja pelo gosto do público ou pela indústria bem azeitada por trás. Tivemos o tsunami do pistache, que entrou em toda e qualquer receita possível, do brigadeiro à lasanha, se deixassem. Depois veio à tona que o fenômeno verde não era tão espontâneo assim: uma baita campanha de marketing, influencers no bolso e chefs estrelados ajudaram a fazer do pistache o ingrediente do momento. Os Estados Unidos, novos magnatas do grão, sabem bem vender seus produtos — e a gente compra. Recentemente, fomos invadidos pelos livros de colorir da Bobbie Goods. Aquela ideia fofinha de pintar para relaxar virou campo de batalha. Quem entrava nas redes dava de cara com vídeos de gente ensinando a desenhar bolhas de sabão, grama milimétrica e a textura da madeira como se fosse vestibular de Belas Artes. O que era para ser calmaria virou comparação e aí, adeus, relaxamento. Agora, o furor é o tal morango do amor. Uma fruta brilhosa, com casquinha caramelada, feita para lembrar a clássica maçã do amor — mas sem palito, servida em caixinha, geralmente com um morango só, gordinho, bem vermelho e coberto por brigadeiro de leite ninho e uma camada reluzente e vermelha de calda. Estou falando disso no Boa Mesa de hoje e no site de A Tribuna há vídeo com o passo a passo para quem quiser tentar em casa (e talvez perder uma panela no processo, porque fazer essa calda é um desafio). Confesso: nunca fui fã desses doces caramelados que melecam a mão, colam no dente e ainda te fazem parecer uma criança na quermesse. Mas, aparentemente, estou sozinha nessa. Os confeiteiros estão rindo à toa e já inventar uma fila de variações, bem dentro do meme “o brasileiro não tem limites”. Desde frutas variadas banhadas no caramelo até croissant, sorvete, doce de travessa, pastel e coxinha de frango. Eu postei nos meus stories no Instagram, não é mentira. De Norte a Sul, relatam a mesma coisa: quantos morangos fizerem, vendem. Não sobra nada. É quase uma segunda Páscoa. Pelo menos, essa loucura pelo doce parece ter um carimbo Feito no Brasil. Claro, nem toda moda dura. Tivemos a fase tudo de churros: bolo churros, brigadeiro churros, sorvete churros. Veio forte, passou rápido. Assim como a paleta mexicana e o frozen yogurt, lembram? Mas algumas resistem. As temakerias seguem firmes, mesmo enfrentando a invasão das hamburguerias artesanais, que brotam nas esquinas como gremlins na chuva. No fundo, talvez o que nos mova mesmo seja essa vontade de experimentar, de se sentir parte do que está acontecendo agora. Ainda que seja um morango caramelado, reluzente e fotogênico com gosto de viral.