(Raul Baretta/Santos FC) Neymar segue soberano: 231 milhões de pessoas o seguem no Instagram para ver o que anda fazendo. Ronaldinho Gaúcho, aposentado dos gramados, mas eterno na memória, tem 77,7 milhões. O ex-lateral-esquerdo Marcelo aparece logo atrás, com 68,8 milhões. Aí vem Anitta, a brasileira mais seguida da plataforma, com seus 63,6 milhões de seguidores, antes de Whindersson Nunes (57,6 milhões), Tatá Werneck (56,4 milhões) e Vinicius Jr. (53,7 milhões). </CW>Apesar de todos os tropeços recentes do nosso futebol — e eles não são poucos, desde aquele fatídico 7 a 1 para a Alemanha — quatro dos sete primeiros da lista são jogadores ou ex-jogadores. O brasileiro até é seduzido por esportes importados, como o futebol americano ou o beisebol. Mas, convenhamos: nada supera o nosso velho e bom futebol. Esse que fabrica lendas, que atravessa gerações, que cria códigos secretos entre pais e filhos. O futebol que faz a gente usar a mesma camisa em todo jogo, como se fosse um amuleto infalível. O mesmo que transforma amizade em rivalidade por 90 minutos ou transforma desconhecidos em íntimos em poucos minutos de arquibancada. Entre os mais populares das redes sociais aparecem os humoristas. E como precisamos rir. Podem chamar de pão e circo, mas quem não precisa de uma válvula de escape? Entre tantos boletos, guerras, crises e notícias pesadas, um esquete de Whindersson (até ele ficou em depressão) ou uma piada da divertidíssima Tatá funcionam como respiro. A gente merece essa pausa. E também está ali, imbatível, Anitta. Onipresente. Multiplataforma. Podia simplesmente se deitar sobre os bilhões conquistados, mas prefere levantar a voz — seja num festival, seja numa aldeia indígena — para falar de Amazônia, de política, de cultura. Mais seguida que muito craque, mas com a mesma capacidade de movimentar multidões. Eu sou suspeita para falar de futebol. As minhas melhores memórias de infância têm cheiro de sanduíche de pernil comprado na porta do estádio, som do radinho de pilha grudado no ouvido do meu pai, a imagem do meu avô todo alinhado de calça social puxando a gente pela mão para não se perder na multidão. Saíamos sempre uns minutos antes do jogo terminar para escapar da confusão. A Vila Belmiro era nosso templo, mas conhecemos outros estádios seguindo o Peixe. Naquele tempo, não havia rede social. O jeito de demonstrar a devoção ao ídolo era ter a camisa com seu número. A maior ousadia era pedir um autógrafo, quando acabava cruzando com ele na praia ou na pizzaria. Afinal, Santos é pequena, um ovo como dizem. Hoje, não há muito essas surpresas. Literalmente, os ídolos são seguidos. Se estão na pizzaria, todos ficam sabendo, e uma multidão aparece por lá. É possível acompanhar cada passo, cada treino, cada festa — quase em tempo real. Mudou o modo de torcer, mudou a relação. Mas, no fim, o fio condutor segue o mesmo: precisamos de referências, precisamos de histórias para contar, precisamos de alguém para vestir a camisa 10 da nossa imaginação. Jornalista e gastróloga fernanda.lopes@grupo-tribuna.com