[[legacy_image_237116]] Extinta na gestão Jair Bolsonaro, a pasta do Planejamento e Orçamento foi recriada no governo Lula. À frente dela está a senadora e ex-presidenciável Simone Tebet (MDB), que, em sua apresentação, admitiu divergências de pensamento na equipe econômica, que também conta com Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior) e Esther Dweck (Gestão e Inovação). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em suas primeiras palavras, buscando passar a imagem de harmonia, Tebet afirmou que a equipe econômica se compromete com o controle dos gastos públicos e que será austera, mas conciliadora. “Sem descuidar da responsabilidade fiscal e da qualidade dos gastos, vamos colocar os brasileiros no Orçamento”, comentou. O objetivo de reunir opiniões divergentes seria extrair delas a decisão mais equilibrada possível, o que seria menos provável quando todos pensam da mesma forma. Em tese, faz sentido. Entretanto, na prática, outros ingredientes podem tornar a união mais ruidosa do que o esperado em uma área tão sensível quanto decisiva para os rumos do governo e do País. Inicialmente cotada para o Ministério do Desenvolvimento Social, diretamente ligado ao Bolsa Família, o principal programa assistencial do governo, a senadora teria sofrido rejeição de setores do PT – a pasta acabou ficando com o petista Wellington Dias. O que não é de se estranhar, afinal Simone Tebet concorreu à presidência na recente eleição e, mesmo derrotada, saiu fortalecida. O apoio a Lula no segundo turno foi importante para a vitória sobre Jair Bolsonaro, e o ingresso no governo é uma forma de retribuição. Por ideologia, Haddad tem uma visão econômica mais estatizante, na linha do que defende Lula e o campo progressista. Embora garanta que prepara um arcabouço fiscal sólido, “sem aventuras”, para preservar as contas públicas e não deixar a dívida crescer, como ressaltou na posse, ele entende que o Estado tem papel preponderante nos destinos da economia. “Um Estado forte não é um Estado grande ou obeso. Também não é dogmático”, assinalou. Simone Tebet, por sua vez, teve o programa econômico de sua campanha liderado pela economista Elena Landau, responsável por diversas privatizações no governo de Fernando Henrique Cardoso. Na atual administração, privatização não vai ter vez. Lula, em um de seus primeiros atos, determinou a retirada de oito empresas públicas do programa de privatizações e concessões do governo federal. Em termos políticos, Simone Tebet e Fernando Haddad são virtuais indicados a concorrer à Presidência em 2026. Assim como o próprio Lula, que jamais estará fora do páreo, ainda que diga que vai cumprir só mais um mandato. Como se vê, será necessário conciliar interesses, pretensões e visões de mundo diversos para que sejam alcançados os resultados que a população tanto anseia.