O peso de Biden para o Brasil

As pressões ambientais são esperadas e vão depender do jogo de cintura diplomático brasileiro

Por: Da Redação  -  20/01/21  -  10:50

A posse do presidente americano Joe Biden merece atenção especial dos brasileiros em razão do inoportuno apoio do Palácio do Planalto a Donald Trump, um envolvimento indevido sob o aspecto diplomático. Entretanto, o que preocupa é o impacto econômico que uma Casa Branca democrata e desafiada pelo trumpismo pode impor ao agronegócio do Brasil por motivações ambientais. É fato que o Brasil nunca foi uma das prioridades da política externa americana e o centro das atenções hoje é a cerimônia em Washington transcorrer sem tumultos. A insurreição, como jornalistas e políticos dos Estados Unidos chamam a incitação de Trump à invasão do Capitólio, é um dos maiores riscos já sofridos pela democracia dos EUA e agora o ponto central é mostrar que essa instituição não foi abalada. Falta ainda saber como Trump se portará nas primeiras semanas fora do poder, se sofrerá impeachment ou perderá seus direitos políticos e se manterá acesa a chama dos extremistas. Depois dessa urgência, entram outros temas tradicionais na diplomacia dos EUA, que são Irã e Israel, Coreia do Norte, Iraque, Afeganistão, União Europeia e Rússia. Contudo, a China entra com grande destaque tanto no lado comercial como político.


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No caso brasileiro, as pressões ambientais são dadas como certas e as dimensões que elas alcançarão vão depender do jogo de cintura diplomático brasileiro. Porém, o chanceler Ernesto Araújo abandonou a tradição do Itamaraty da diplomacia moderada e sem alinhamento com as potências e acrescentou o adesismo de governo à política de Estado. Depois de aderir ao trumpismo sem obter conquistas comerciais ou negociar vantagens ao País, pelo contrário, o Brasil foi alvo de cotas e outras restrições tarifárias americanas, Araújo chamou os extremistas da invasão ao Capitólio de “cidadãos de bem”, apesar de lamentar o ataque.


Tal posição e a demora para reconhecer a vitória nas urnas de Biden não só têm potencial para fechar as portas do governo dos EUA ao Brasil como o País pode ser jogado no limbo ou até ser visto como pária internacional.


A atuação de Araújo no Itamaraty é tão desastrosa e sem resultados que o ministro tem sido rifado pela ala mais equilibrada do governo. A permanência dele se dá pela conexão com os grupos ideológicos e o próprio presidente Jair Bolsonaro, que faz comentários na mesma linha e também não é bom de obter resultados internacionais. Serve como exemplo a Índia, país que já visitou e agora jogou o Brasil para o final da fila dos destinos da vacina indiana da AstraZeneca. Em debate com Trump, Biden disse que tem arsenal de sanções ao Brasil se a devastação da Amazônia continuar. O discurso do governo é de que os outros países estão interessados nas riquezas da floresta e que se trata de soberania nacional. Entretanto, o movimento ambientalista estará dentro da Casa Branca desta vez e os prejuízos ao agronegócio brasileiro são bem reais.


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