O fôlego da habitação

O grande trunfo de um mercado imobiliário atendendo a todas as classes sociais é a capacidade de fazer girar a economia

Por: ATribuna.com.br  -  25/10/22  -  06:22
Apesar dos juros altos e da macroeconomia amortecida, o mercado imobiliário consegue avançar
Apesar dos juros altos e da macroeconomia amortecida, o mercado imobiliário consegue avançar   Foto: João Nogueira/Futura Press/Estadão conteúdo

Os executivos do mercado imobiliário costumam dizer que a fluidez das vendas de apartamentos e casas usados é importante para definir o ritmo da construção civil, pois geralmente os donos usam os recursos obtidos para dar de entrada nas unidades novas. Por isso, a disponibilidade de crédito para as diferentes classes de renda é estratégica, isso se o Governo quiser manter toda essa cadeia bem engrenada.


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Na edição de domingo (23), A Tribuna publicou que a venda de imóveis novos e usados quase dobrou em setembro, na comparação com agosto, na Baixada Santista, segundo pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de SãoPaulo (Creci-SP). A alta foi de impressionantes 90%, o que pode ter ocorrido na conta sobre um mercado que girava moderadamente, resultando nesse efeito estatístico. Mas o percentual mostra muito sobre este momento do setor imobiliário.


O presidente estadual do Creci, José Augusto Viana Neto, disse que, apesar da taxa Selic ainda estar muito elevada, a 13,75% ao ano, a expectativa de queda dos juros no próximo ano já faz o comprador se dispor a fechar negócio. Por outro lado, o diretor-regional do Sindicato da Habitação (Secovi), Carlos Meschini, afirmou que desde a pandemia os lançamentos recuaram, o que aumentou a demanda pelo segmento de usados.


O que impressiona é que mesmo com juros altos e uma macroeconomia ainda amortecida, com muito desemprego ou empregos gerados com baixos salários, o mercado imobiliário consegue avançar. Não se trata de um aquecimento de um País em expansão econômica mais robusta, mas de uma retomada que mantém as engrenagens funcionando desde a negociação do usado à contratação de crédito para também adquirir unidades novas. Porém, a recuperação não pode parar. Os juros precisam começar a cair logo para não asfixiar quem toma empréstimos. Além disso, os bancos têm que manter suas linhas imobiliárias prontas para atender um aumento de demanda, que se imagina que crescerá bastante assim que for anunciada uma primeira queda da Selic, que os economistas esperam que aconteça em meados do próximo ano.


O segmento imobiliário da baixa renda também precisa melhorar seu ritmo. O entrave é que ele depende de recursos do Governo para subsidiar a moradia dos mais pobres. Há famílias com poucos recursos que suportam um financiamento popular com prestações reduzidas devido ao prazo esticado de pagamento. Mas existem milhões de brasileiros em situação de miséria que permanecerão morando em habitações precárias e muitas vezes de alto risco (em encostas, por exemplo) se os programas do setor forem pouco abrangentes.


O grande trunfo de um mercado imobiliário atendendo a todas as classes sociais é a capacidade de fazer girar a economia, com obras que geram muito emprego, portanto, mais renda, condição fundamental para a retomada do consumo e dos investimentos.


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