Lição de casa permanente

Termo já bastante conhecido, as fake news continuam presentes. Em ano eleitoral, é preciso falar sobre o tema

Por: ATribuna.com.br  -  02/04/24  -  06:34
  Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil

Quase 90% da população brasileira admite ter acreditado em conteúdos falsos. Esse é o resultado de pesquisa do Instituto Locomotiva, divulgado ontem pela Agência Brasil. Segundo o levantamento, oito em cada dez brasileiros já deu credibilidade a fake news. Mesmo assim, 62% confiam na própria capacidade de diferenciar informações falsas e verdadeiras em um conteúdo.


Sobre o conteúdo das notícias falsas que acreditaram, 64% eram sobre venda de produtos, 63% diziam respeito a propostas em campanhas eleitorais, 62% tratavam de políticas públicas, como vacinação, e 62% falavam de escândalos envolvendo políticos. Há ainda 57% que afirmaram ter acreditado em conteúdos mentirosos sobre economia e 51% em notícias falsas envolvendo segurança pública e sistema penitenciário. Na opinião de 65% dos entrevistados, as notícias falsas são distribuídas com a ajuda de robôs e inteligência artificial. A cada dez pessoas, oito reconhecem que há grupos e pessoas pagas para produção e disseminação de notícias falsas.


O termo fake news não é novo, mas surpreende o alto índice de pessoas que disseram já ter acreditado nesses conteúdos. O tema foi pauta de seminários, fóruns, campanhas televisivas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e até inserções nas telenovelas, com personagens vivendo pessoas comuns que se prejudicam por acreditar em algum conteúdo falso que viram nas redes sociais.


O levantamento do Instituto Locomotiva só comprova que esse será, provavelmente, mais um daqueles conteúdos que jamais poderão sair de cena, como tantos que, depois de absorvidos pela população, podem ser descontinuados de programas oficiais ou campanhas publicitárias. Entender a mecânica das fake news e saber identificar os elementos que devem ser checados antes de compartilhar conteúdos são saberes que jamais se encerram, porque a tecnologia tem servido para aprimorar as ferramentas que produzem, editam e distribuem notícias falsas ou distorcidas, assim como vídeos e áudios.


Em ano eleitoral, acerta o TSE em fechar o cerco contra produtores e distribuidores de fake news, punindo candidatos que fomentarem essa prática, comprovadamente eficiente para derrubar candidaturas ou elevar concorrentes sem condições mínimas para representar sua comunidade.


Essa é uma área que deveria receber atenção e investimentos permanentes por parte dos governos, com programas perenes de educação midiática nas escolas e universidades. As notícias falsas ou manipuladas não trazem consequência apenas em anos eleitorais, como demonstrou a pesquisa divulgada ontem. Elas são séria ameaça aos hábitos de saúde, ao consumo de produtos e serviços e na distorção de fatos que dizem respeito a hábitos cotidianos. Há trabalho suficiente pela frente, por meio de campanhas publicitárias e inserção do tema em todos os ambientes de formação.


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
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