Hora de decidir

O Parlamento está mais forte enquanto poder e sensível às pressões dos redutos, reflexo das redes sociais

Por: ATribuna.com.br  -  30/10/22  -  06:17
Domingo (30) é dia de exercer a cidadania, no segundo turno das eleições
Domingo (30) é dia de exercer a cidadania, no segundo turno das eleições   Foto: Roberto Jayme/TSE

O eleitor tem neste domingo mais um compromisso com as urnas, em um pleito dos mais acirrados das últimas décadas. A expectativa é de que todos sigam para seus postos de votação de forma pacífica, sem se envolver em provocações, sacramentando o exercício da democracia. Apesar do excesso de ataques nas redes sociais e uma discussão de propostas que poderiam ter sido aprofundadas, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levaram ao leitor suas mensagens, uma visão de País e o que propõem para desenvolvê-lo. O mesmo vale para a eleição para governador, entre o ex-prefeito da Capital Fernando Haddad (PT) e o ex-ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Reflexo da polarização da política, Haddad e Tarcísio acabaram nacionalizando o debate da TV Globo da quinta-feira.


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Por sorte, o público pôde acompanhar os debates de quinta e de sexta-feira, este último para presidente, em formato moderno, que privilegia o confronto e a comparação, cabendo a cada candidato conseguir passar com clareza o que propõe ou a fraqueza que atribui ao adversário. As pesquisas indicaram uma disputa acirrada pelo voto, com o petista à frente com uma margem bem apertada em relação a Bolsonaro, que se apoiou em uma militância muito ativa.


Após o anúncio do vencedor para presidente, começará em janeiro um novo desafio, que é o de assumir um País com antigos problemas ainda a serem sanados na educação, saúde e segurança pública, mas em meio a um cenário internacional geopolítico e econômico conturbado, respectivamente, a guerra da Ucrânia e a inflação mundial. Neste último caso, o Brasil terá uma vantagem, a de ter começado a combater a alta dos preços primeiro e, por isso, poderá atrair mais capitais externos. Se a recessão internacional se confirmar, as cotações das commodities se desvalorizarão, desestimulando as exportações brasileiras.


Há ainda um tema muito importante e pouquíssimo explorado nas campanhas, que é o meio ambiente. No próximo mês, decisões de largo alcance devem ser tomadas pela conferência da ONU contra as mudanças climáticas. O Brasil estará no centro das discussões devido ao desmatamento e precisará sair da defensiva.


No âmbito das contas públicas, o vencedor não terá recursos para cumprir o que prometeu, pelo menos no primeiro ano de mandato. Será necessário fazer uma arrumação em meio a uma imensa necessidade dos mais pobres por serviços sociais e as empresas por uma ação mais firme da classe política, inclusive do Legislativo, para reduzir o custo e melhorar a produtividade.


No trato do Executivo com o Congresso, o Legislativo estará mais à direita, mas isso não significa que Bolsonaro, se vencedor, terá vida fácil. O Parlamento está mais forte enquanto poder e sensível às pressões dos redutos, reflexo das redes sociais, dificultando a votação de temas impopulares.


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