[[legacy_image_220507]] Começou neste domingo (6), no Egito, e vai até dia 18 a Conferência do Clima da ONU, a COP27, encontro de relevância ímpar por colocar, frente a frente, os líderes mundiais de países mais e menos afetados pelas mudanças climáticas. Do Brasil participam, além de especialistas e militantes da causa, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a deputada federal eleita Marina Silva (Rede). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O encontro acontece uma semana depois de o Observatório do Clima ter divulgado que o Brasil registrou em 2021 a maior alta nas emissões de gases de efeito estufa dos últimos 19 anos. O aumento foi de 12,2% em relação a 2020, índice fortemente impactado pelo crescimento das queimadas na Amazônia, seguido de outras atividades que também despejam na atmosfera grande quantidade de metano, como a agropecuária. No ranking mundial, o Brasil ocupa a quinta posição em emissões de metano, respondendo por 5,5% do total. Importante destacar que o gás metano tem maior impacto no aquecimento global até mesmo do que o gás carbônico, presente em atividades como indústria e transporte. Na COP que começou ontem, negociadores buscam destravar a ambição das metas climáticas estipuladas no Acordo de Paris, assinado em 2016 por 195 países, e que procura conter o aumento da temperatura planetária. Para isso, é preciso reduzir as emissões em pelo menos 55% até 2030, em comparação com os níveis de 1990. Há alguns consensos sobre os impactos das mudanças climáticas no mundo, e um deles diz respeito às áreas que serão mais afetadas, como as regiões costeiras. Nessas, eventos extremos tendem a ocorrer com mais frequência e com maior intensidade. A Baixada Santista é uma dessas regiões, e já vem vivenciando chuvas mais intensas e prolongadas. Há uma predisposição nesta COP de metas serem estabelecidas no sentido de os países desenvolvidos financiarem ações de mitigação e adaptação para os países em desenvolvimento. Para o Brasil, há um leque de oportunidades não só de captar financiamentos para ações e iniciativas que promovam a redução de danos em áreas mais vulneráveis, como de se beneficiar do grande potencial que a natureza oferece no equilíbrio do clima. Biomas como as florestas, o cerrado e o oceano são grandes sequestradores naturais de gases de efeito estufa. A bioeconomia que se depreende desse DNA natural é uma oportunidade para desenvolver setores da economia que hoje ainda carecem de recursos, pesquisas e atenção. Nos últimos quatro anos, o Brasil ficou devendo em termos de política ambiental de nível federal, uma vez que deixou correr solto o desmatamento na Amazônia e ações mais rigorosas de controle sobre as queimadas. A partir de 2023, ao menos nesse campo o País tende a resgatar uma relevância que já vinha conquistando nas últimas décadas. Importante, agora, é tirar os planos das gavetas das três esferas de governo e ir atrás de recursos para implementá-los.