(Divulgação) Hoje, 133 cardeais se reúnem na Capela Sistina para definir o sucessor do papa Francisco. É esperado que desta primeira rodada de votação não haja consenso por um nome. O escolhido precisa ter dois terços dos votos e não há um favorito, ainda mais depois de um pontífice tão marcante quanto Francisco. Polêmico, evangelizador e defensor da simplicidade e dos mais pobres, ele mexeu com os pilares da Igreja tradicional por ser mais liberal, mas não a ponto de realizar mudanças profundas. Trata-se de algo muito complexo para a instituição. Porém, Francisco gerou desafetos e críticos internos avessos a mudanças, que ele teve a sabedoria de buscar perante as transformações da tecnologia, nas comunicações e nos costumes. Mas uma demora para eleger o novo papa pode ser sinal de uma divisão profunda da Igreja, algo que seria entendido como uma dúvida sobre qual caminho seguir, muito ruim para o catolicismo sobreviver aos novos tempos. Analistas dizem ser improvável triunfar o oposto de Francisco. Sinal disso é que 108 dos cardeais votantes (80% do total) foram indicados por ele, sendo 22 pelo antecessor Bento XVI e cinco por João Paulo II. Porém, o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, disse, em uma explicação bem subjetiva, que o próximo papa não será uma cópia de Francisco, mas que haverá a continuidade das missões da Igreja e também uma descontinuidade, por não ser o mesmo pontífice. Seja qual for o eleito, não será de bom senso que ele fique alheio ao mundo das redes sociais e da vida frenética imposta pelas novas tecnologias, meios que permitem aproximar os fiéis a suas religiões, mas que também geram tanto sofrimento, manipulação, solidão e injustiças. Nesse contexto, o catolicismo enfrenta desafios no mundo todo, como no Brasil, por meio do avanço das igrejas evangélicas, que sabem aproveitar as ferramentas da comunicação moderna. Entretanto, há ainda a perda de adeptos na Europa, a oportunidade de crescer nos países africanos, cujas populações aumentam em ritmo acelerado, e a dificuldade de se espalhar pela Ásia. Autocracias em ascensão e regimes autoritários continuam sendo barreiras poderosas, como na Nicarágua, onde há conflitos recentes violentos entre os religiosos e os governantes. Nada mais desafiador para a Igreja será se decidir sobre a homossexualidade, que Francisco dizia “quem sou eu para julgá-los”, em um discurso mais acolhedor ao público LGBTQIA, ou por manter uma visão restrita, conservadora. Há ainda o público feminino, que ganhou espaço na estrutura da Igreja, mas ainda de forma muito reduzida, sendo inconcebível que permaneça assim. A participação na política, a influência dos fiéis nos rumos da Igreja, o apoio aos mais pobres, o enfrentamento da violência em meio ao questionamento das correntes polarizadas e a reação ao avanço das autocracias e às ameaças à democracia também serão temas que um papa mais inclusivo deverá lidar.