A proposta cubatense é a de instalar o curso no campus do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), no Jardim Casqueiro (Divulgação/Prefeitura Municipal de Cubatão) É legítimo o pedido do prefeito de Cubatão, Cesar Nascimento (PSD), para ter em seu município uma Escola Nacional do Turismo voltada à qualificação de profissionais para o setor. O pedido foi feito ao Ministério do Turismo, que pretende implantar 27 unidades dessa escola nas capitais brasileiras. Cubatão teria uma dessas unidades no Instituto Federal, no Jardim Casqueiro, e formaria, segundo a Prefeitura, profissionais para explorar as várias áreas turísticas da cidade, como aventura, meio ambiente, pesca e cultura. O momento pode parecer adequado para colocar o tema Turismo de volta à pauta, entendendo - e admitindo - que a ideia seria bem mais adequada se servisse para formar profissionais para explorar todo o potencial da região metropolitana, e não apenas os atrativos de Cubatão. A ideia de integrar a Baixada Santista como destino turístico regional não é nova. Já foi debatida por secretários municipais, conselhos como o Condesb e entidades do setor privado. Mas, passada mais de uma década de boas intenções, o que se vê ainda é uma região com extraordinário potencial turístico travada pela falta de articulação entre os municípios. A Baixada é um território privilegiado: há praias acessíveis, centros históricos, reservas ecológicas com valor mundial (Jureia-Itatins, Restinga de Bertioga), atrativos urbanos consolidados (aquário, museus, centros culturais), festas religiosas tradicionais e um público cativo oriundo da Capital e do Interior paulistas. Soma-se a isso a infraestrutura rodoviária e capacidade de hospedagem. O que falta, em resumo, não é vocação, é estratégia. Um dos entraves mais simbólicos dessa fragmentação é a ausência de um selo metropolitano para ônibus de turismo. Cada cidade impõe exigências próprias, com burocracias distintas, taxas variadas e ausência total de padronização, o que dificulta a circulação intermunicipal de turistas em roteiros integrados e desestimula operadoras a pensarem circuitos mais amplos. A falha é reflexo de um problema maior: não há política regional de turismo com continuidade, metas e governança efetiva. Há fóruns esporádicos, parcerias pontuais em feiras e tentativas isoladas de criação de roteiros. Mas falta perenidade. Faltam indicadores regionais. Falta um plano comum. E falta, sobretudo, vontade política de fazer diferente. Enquanto isso, perde-se a chance de desenvolver o turismo como vetor econômico de longo prazo, diversificando a base produtiva da região. Falta aproveitamento do ecoturismo, do turismo cultural e de experiência. Falta capacitação regionalizada de mão de obra, especialmente em hospitalidade e idiomas. Falta transporte turístico intermunicipal funcional, sinalização unificada e promoção digital integrada. A Baixada Santista pode e deve ser promovida como um destino articulado, diverso e competitivo. Mas isso só será possível quando suas nove cidades deixarem de disputar migalhas entre si e passarem a construir, juntas, uma estratégia sólida de desenvolvimento turístico.