(Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Ministério das Cidades, prevê a interligação por transporte público regional, de Bertioga a Praia Grande, também integrando Santos, São Vicente e Cubatão, conforme A Tribuna publicou ontem. O plano está centrado nos modais veículo leve sobre trilhos (VLT) e BRT (sigla em inglês para transporte rápido por ônibus), que segue o modelo de corredores exclusivos de Curitiba (PR) e de outras cidades do mundo. A ideia é ampliar os investimentos em sistemas de média e alta capacidades, o que é mais apropriado para unir de fato uma região metropolitana hoje servida por milhares de ônibus e uma linha em expansão do VLT, aliás com obras atrasadas há bom tempo. O grande desafio, recorrente em investimentos de infraestrutura no País, é tirar esse estudo do papel. Basta observar os casos do túnel Santos-Guarujá, aventado há um século e apenas agora prestes a ser executado, e das ferrovias, que levam décadas para serem concluídas. Nesse levantamento, o BNDES diz que o plano ainda está na etapa preliminar e que, quando for encerrado, poderá embasar os futuros projetos de mobilidade das prefeituras e Governo do Estado, com apoio do banco. O problema é que essas obras, no Brasil, por serem demoradas, são executadas por governos diferentes, que costumam desfazer projetos da gestão anterior ou seguir rumo oposto (como de desenvolvimentista para mais austero ou de menor participação estatal). Há ainda fases repetidas de instabilidade econômica no País que resultam em cortes de orçamento para ajustes das contas públicas. Por isso, os empreendimentos são fatiados, muitas vezes sendo paralisados ou com custos que estouram as previsões. O levantamento do BNDES e Ministério das Cidades detalha 21 iniciativas possíveis para o transporte na região, entre elas corredores de ônibus nas avenidas Bernardino de Campos e na orla santista, assim como BRT ligando o VLT, em São Vicente, ao Terminal Caiçara, em Praia Grande. Com investimento estimado em R\$ 2,7 bilhões, essas obras seriam concluídas em 2030, prazo bem próximo. Esse estudo viabiliza a integração por modais entre as cidades, o que está correto – hoje uma viagem entre os municípios, de casa para o trabalho, para prestar serviços ou mesmo o lazer está sujeita a transtornos e demora. Também é necessário que o Estado participe desse processo por sua experiência com sistemas de transporte. A parceria entre São Paulo e a União para viabilizar o túnel Santos-Guarujá já é uma oportunidade para aproximar os dois lados. É preciso avaliar ainda uma maior integração de Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe à região pelo transporte público, como lembrou a Prefeitura de Mongaguá, pois não estão nesse estudo. São cidades de rápido crescimento, cujas economias não podem ficar desconectadas dos demais municípios da Baixada.