(Reprodução Instagram/Donald Trump) A desvantagem está no fato das outras economias não terem uma taxa desse patamar ou já negociaram com os americanos A retirada da tarifa recíproca de 10% sobre alimentos, como café, carnes e frutas, aumentou a urgência da negociação comercial entre os governos Lula e Trump. Os 10% a menos aliviam um pouco os exportadores brasileiros, entretanto, enfraquecem a competitividade do País. Isso porque o Brasil continua com a taxa punitiva de 40% (exceto itens que já ganharam a isenção, como suco de laranja), adotada por motivação política, o processo do ex-presidente Jair Bolsonaro, em relação ao qual a Casa Branca tentou impor a suspensão. A desvantagem está no fato das outras economias não terem uma taxa desse patamar ou já negociaram com os americanos, obtendo percentuais baixos ou acordos mais efetivos. Por exemplo, a Suíça se comprometeu a comprar mais carne dos EUA, produto que poderia ser fornecido pelo Brasil por meio do tratado do Mercosul com a Associação Europeia de Comércio Livre (Efta, formada pela Suíça, Islândia, Noruega e Liechtenstein). O café ainda enfrenta situação negativa. O produto brasileiro não paga mais os 10%, mas continua com os 40%. Mas Colômbia, Vietnã e América Central já conseguiram acertos muito melhores. Como a importação é feita para se chegar a um blend, mistura que busca o melhor sabor a preço competitivo, o grão brasileiro perderá espaço. Os cafeicultores do Brasil têm conseguido abrir outros mercados para realocar o que deixaram de vender aos EUA, mas não faz sentido desistir do maior comprador do mundo, cujo abastecimento era 35% controlado pelo País. Na sexta-feira, ao anunciarem a suspensão da taxa recíproca de 10%, os EUA não atenderam um país especificamente. O objetivo da Casa Branca, segundo analistas, foi dar uma resposta às críticas sofridas na campanha das eleições municipais e estaduais parciais. O pleito foi quase totalmente vencido pelos democratas, que fizeram intensos ataques à inflação dos alimentos, em uma situação parecida à dos trumpistas, no ano passado, que focaram a queda do poder aquisitivo do americano mais pobre, apesar dos EUA estarem em plena ascensão econômica com a tecnologia. Na negociação com os EUA, o Brasil busca resultados objetivos, derrubando as tarifas que ainda pesam sobre 74% dos produtos nacionais exportados aos americanos. Por outro lado, a Casa Branca almeja vantagens que o Brasil pode facilmente conceder, a depender da dosagem, como acesso às terras raras. Neste caso, o Brasil até sairia beneficiado, porque não tem recursos nem tecnologia para explorá-las. Aliás, a dimensão dessas reservas ainda precisa ser confirmada. Os americanos também querem evitar a taxação das big techs, como Meta (redes sociais) e Google, bandeira da esquerda que pode ser adiada, e tentam suspender as restrições sobre o etanol de milho. Apesar da pressa poder prejudicar o Brasil nas conversas, fazendo ofertas generosas, espera-se que o Governo Lula não demore muito para conseguir reduzir os prejuízos ao exportador brasileiro.